"E por que não dizemos (como somos blasfemados e como alguns dizem que dizemos) Façamos males para que venham bens A condenação desses é justa"
Textus Receptus
"E por que não dizemos (como somos caluniosamente reportados, e como alguns afirmam que dizemos): Façamos o mal, para que venha o bem? A condenação dos tais é justa. "
O apóstolo Paulo refuta energicamente a falsa acusação de que ele ou seus colaboradores ensinavam que se deveria praticar o mal para que o bem viesse, afirmando que tal conduta merece justa condenação.
Explicação Histórica
A frase 'por que não dizemos' introduz uma questão retórica, implicando que tal ideia é absurda e não defendida pelo apóstolo. 'Como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos' revela a calúnia e a deturpação da mensagem do evangelho de Paulo. A expressão 'façamos males, para que venham bens' representa a perversão da graça, sugerindo uma ética utilitarista onde o fim justificaria meios pecaminosos. 'A condenação desses é justa' afirma o julgamento divino justo sobre aqueles que praticam tal falácia ou a difundem, pois distorcem a verdade de Deus para legitimar o pecado.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina da santidade de Deus e a imperatividade da santificação pessoal. A graça salvadora em Cristo não anula a necessidade de uma vida reta, mas a fundamenta e capacita (Romanos 6:1-2). A CCB, em sua visão pentecostal clássica, enfatiza que a salvação pela fé leva a uma vida de obediência e busca pela santidade, rejeitando qualquer forma de antinomianismo (doutrina contra a lei) que possa usar a graça como pretexto para o pecado. A condenação justa sublinha que Deus é santo e justo em seu julgamento contra a impiedade e a perversão de Sua Palavra.
Aplicação Prática
O cristão deve viver em santidade, buscando agradar a Deus em todas as suas ações e rejeitando qualquer pensamento ou ensino que minimize a seriedade do pecado. A graça de Deus nos capacita a viver uma vida justa, não a nos entregar à concupiscência. Devemos zelar pela verdade do Evangelho, evitando toda forma de licenciosidade espiritual e demonstrando uma fé que se manifesta em boas obras e retidão.
Precauções de Leitura
Deve-se ter cautela para não interpretar este versículo como uma justificativa para o legalismo, mas sim como um alerta contra a deturpação da graça. O foco está na rejeição de qualquer tentativa de racionalizar o pecado ou de usá-lo como um meio para um suposto bem maior. A graça de Deus nunca é uma licença para o pecado, mas um poder para a santidade.