Este versículo declara que a justiça salvadora de Deus foi revelada agora, independente da lei mosaica, mas com o respaldo e a previsão das Escrituras do Antigo Testamento.
Explicação Histórica
A expressão "Mas agora" (nunì de) aponta para um novo tempo, a era da graça em Cristo. "Justiça de Deus" (dikaiosýnē Theoû) refere-se não à retidão moral intrínseca de Deus, mas à justiça que Ele provê e imputa ao crente, o meio pelo qual Ele declara os pecadores justos. "Sem a lei" (chōrìs nómou) significa 'separado da lei' como um meio de justificação, enfatizando que a salvação não é alcançada por obras da lei. "Tendo o testemunho da lei e dos profetas" (martyrouménē hupò toû nómou kaì tôn prophētôn) indica que, embora a justiça seja 'sem a lei' como meio, ela não é sem o respaldo da Torá e dos Escritos Proféticos, que prenunciaram e apontaram para a vinda do Messias e a salvação pela fé (Gênesis 15:6, Habacuque 2:4).
Interpretação Doutrinária
A manifestação da justiça de Deus 'sem a lei' alinha-se à doutrina pentecostal clássica da salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, e não por méritos ou obras da lei. Este versículo enfatiza a obra redentora de Cristo como a única base para a justificação, cumprindo e validando as profecias do Antigo Testamento. A lei revelou o pecado, mas o evangelho revela a solução divina para o pecado, apontando para a necessidade do arrependimento e da aceitação da justiça oferecida por Deus.
Aplicação Prática
O cristão deve compreender que a salvação é um dom gracioso de Deus, acessível pela fé em Jesus Cristo, não por esforços humanos ou observância da lei. Isso exige um reconhecimento humilde da própria incapacidade de se justificar e a aceitação da perfeita obra de Cristo. A busca pela santificação pessoal, motivada pela gratidão e pelo amor, é a resposta à justiça que Deus já nos imputou.
Precauções de Leitura
É crucial evitar a interpretação equivocada de que a 'justiça sem a lei' significa antinomianismo ou a anulação da moralidade da lei. A lei não foi um meio de justificação, mas sua validade moral permanece como revelação da vontade de Deus, orientando a vida santificada. Não se deve, também, descartar o Antigo Testamento, pois ele testifica e prepara o caminho para a manifestação plena da justiça de Deus em Cristo.