O versículo conclui a exposição da depravação humana, afirmando que a humanidade, em seu estado natural de pecado, carece de reverência e temor genuíno a Deus.
Explicação Histórica
A expressão "temor de Deus" (grego: phobos Theou) não significa medo paralisante, mas uma profunda reverência, respeito, admiração e submissão à santidade, autoridade e justiça divina. É um reconhecimento da soberania de Deus que leva à obediência e ao abandono do mal. A frase "diante de seus olhos" (grego: kat' ophthalmoús) enfatiza que essa falta de reverência não é acidental, mas uma característica predominante e governante na perspectiva e conduta do homem natural, indicando que Deus e Seus mandamentos não são considerados em suas escolhas.
Interpretação Doutrinária
Este versículo reforça a doutrina pentecostal clássica da depravação total da humanidade antes da regeneração, onde o homem natural está espiritualmente morto e não possui a capacidade inata de temer a Deus de forma salvífica. A ausência de um temor reverente a Deus é a causa subjacente de toda a impiedade. Isso sublinha a necessidade absoluta da obra redentora de Cristo e da regeneração pelo Espírito Santo, que implanta no crente um novo coração e o verdadeiro temor de Deus (Provérbios 1:7), conduzindo à santificação e obediência.
Aplicação Prática
O crente deve refletir sobre a condição da qual foi resgatado pelo amor de Deus e buscar desenvolver um temor reverente a Ele em todas as áreas da vida. Esse temor deve impulsionar a santificação pessoal, a obediência à Sua Palavra e uma vida de testemunho fiel, buscando sempre a direção do Espírito Santo para agradar a Deus.
Precauções de Leitura
Não se deve interpretar este versículo isoladamente como uma sentença final sem esperança. Ele estabelece o problema do pecado universal para, em seguida, apontar para a solução divina da justificação pela fé em Jesus Cristo (Romanos 3:21-26). O "temor de Deus" não é sinônimo de terror, mas de uma santa reverência que resulta em obediência e amor.