Paulo refuta a ideia de que a fé anula a lei, afirmando que, ao contrário, a fé a estabelece em sua verdadeira função e propósito.
Explicação Histórica
A pergunta retórica 'Anulamos, pois, a lei pela fé?' utiliza o termo grego 'katargoumen', que significa 'tornar ineficaz', 'abolir' ou 'destruir'. A resposta 'De maneira nenhuma' ('mē genoito') é uma forte negação, significando 'que isso nunca aconteça!'. A afirmação 'antes estabelecemos a lei' emprega 'histōmen nomon', indicando que a fé não só não a destrói, mas a 'confirma', 'sustenta' ou 'coloca em seu devido lugar', revelando sua verdadeira função e propósito.
Interpretação Doutrinária
Conforme a doutrina pentecostal clássica, a justificação pela fé em Cristo não invalida a Lei de Deus, mas a confirma em seu aspecto moral e espiritual. A Lei revela o pecado (Romanos 3:20) e aponta para a necessidade de um Salvador. Através da fé, a justiça de Cristo é imputada, e o crente é capacitado pelo Espírito Santo a cumprir a essência da Lei (amor a Deus e ao próximo), que é escrita no coração (Jeremias 31:33, Hebreus 8:10), em um processo de santificação. Assim, a Lei mantém sua relevância como guia para a conduta justa, sem ser um meio de salvação.
Aplicação Prática
Os salvos pela fé em Jesus Cristo não devem viver em desobediência ou licença, mas, movidos pelo Espírito Santo, devem buscar uma vida de santidade e retidão, confirmando os princípios morais da Lei de Deus através do amor e da obediência. A fé verdadeira conduz à prática da justiça e à conformidade com a vontade divina.
Precauções de Leitura
Evitar o erro do antinomismo, que erroneamente sugere que a fé anula toda a obrigação moral da Lei. Igualmente, deve-se cautela contra a interpretação de que 'estabelecemos a lei' implica um retorno ao legalismo como meio de salvação, o que contraria a doutrina da justificação somente pela fé.
Referências Citadas
Romanos 3:20, Romanos 3:28, Jeremias 31:33, Hebreus 8:10