Jesus questiona a coerência daqueles que não creem nos escritos de Moisés, mas afirmam crer em Suas próprias palavras.
Explicação Histórica
A expressão 'seus escritos' refere-se ao Pentateuco, os primeiros cinco livros da Bíblia, tradicionalmente atribuídos a Moisés. Estes textos contêm a Lei, as promessas e as profecias que prefiguravam a vinda do Messias. As 'minhas palavras' são os ensinamentos e reivindicações de Jesus sobre Sua divindade e missão salvífica. A pergunta retórica ('como credes nas minhas palavras?') sublinha a ilogicidade da incredulidade: se não aceitam a autoridade e o conteúdo profético do que já lhes foi dado, como poderiam aceitar o que é novo e, para eles, mais desafiador?
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina da unidade e inerrância das Escrituras Sagradas, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Para a fé pentecostal, a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e infalível, e o Antigo Testamento aponta para Cristo. A incredulidade em Moisés demonstra uma rejeição fundamental à revelação divina que preparou o caminho para Jesus. A verdadeira fé em Cristo implica aceitar a autoridade de toda a Palavra de Deus, que testifica da Sua divindade e plano de salvação, conforme João 5:39. A salvação é obtida pela fé em Jesus Cristo, mas essa fé deve ser consistente com a totalidade da revelação bíblica.
Aplicação Prática
O cristão de hoje é exortado a buscar e crer diligentemente em toda a Escritura, pois ela testifica de Jesus e de Sua obra redentora. A fé não pode ser seletiva; é essencial aceitar a verdade revelada em toda a Palavra de Deus. A santificação e o crescimento espiritual são nutridos pela meditação e obediência à Bíblia, que nos guia à comunhão com Deus e à vivência dos princípios do Evangelho, buscando também a plenitude do Espírito Santo para testemunhar de Cristo.
Precauções de Leitura
É crucial evitar a interpretação que separa o Antigo Testamento do Novo, ou que diminui a importância dos escritos mosaicos. A Bíblia é um todo orgânico que revela progressivamente o plano de Deus. Desconsiderar as raízes do Evangelho no Antigo Testamento pode levar a uma compreensão distorcida de quem Jesus é e de Sua missão, isolando o texto de seu propósito maior.