"Nem tão pouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade mas apresentai-vos a Deus como vivos dentre mortos e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça"
Textus Receptus
"Nem tampouco apresenteis os vossos membros como instrumentos de injustiça ao pecado; mas apresentai-vos a Deus, como os que são vivos dentre mortos, e os vossos membros como instrumentos de justiça a Deus."
O versículo exorta os crentes a não oferecerem seus corpos como instrumentos para o pecado, mas sim a se apresentarem a Deus, utilizando-os como instrumentos de justiça em sua nova vida.
Explicação Histórica
A expressão "apresenteis os vossos membros" (do grego 'paristēmi', 'apresentar', 'colocar à disposição') denota uma ação consciente e volitiva de oferecer ou entregar as partes do corpo ('membros', do grego 'melē') que são usadas para ação. "Instrumentos de iniquidade" (do grego 'hopla adikias') refere-se a essas partes do corpo sendo usadas como armas ou ferramentas para realizar atos injustos ou pecaminosos. Em contraste, "apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos" (do grego 'zōntas ek nekrōn') sublinha a nova realidade espiritual do crente que, tendo morrido para o pecado, agora vive para Deus (Romanos 6:11), e deve se oferecer inteiramente a Ele. Os "instrumentos de justiça" (do grego 'hopla dikaiosynēs') significam que os mesmos membros devem agora ser empregados como ferramentas para a prática de atos que estão em conformidade com a vontade de Deus.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina da santificação progressiva, onde o crente, salvo pela graça através da fé em Cristo (Romanos 6:2-4), é chamado a uma vida de separação do pecado e consagração a Deus. A libertação do domínio do pecado não é licença para pecar, mas um imperativo para viver em justiça. A apresentação dos membros a Deus como "vivos dentre mortos" ilustra a nova vida espiritual recebida em Cristo, que capacita o crente a abandonar as práticas pecaminosas e buscar a santidade, exercendo a fé através da obediência consciente e contínua à Palavra de Deus.
Aplicação Prática
O cristão deve fazer uma escolha deliberada e diária de não ceder às tentações do pecado, mas, ao invés disso, render cada parte do seu corpo e suas faculdades a Deus. Isso significa usar os olhos para o que é puro, a língua para edificar, as mãos para servir, e a mente para pensar no que é justo, buscando continuamente a santificação e a vivência da justiça divina em todas as ações.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo isoladamente, desvinculado dos versículos anteriores de Romanos 6, que explicam a base teológica da morte e ressurreição com Cristo. A exortação para apresentar os membros a Deus não é um mandamento de auto-justificação por obras, mas uma resposta e demonstração da nova vida que já foi concedida por Deus, não dependendo de esforço humano puro, mas da graça e do poder de Deus atuando no crente. Não se trata de uma simples moralidade externa, mas de uma consagração interna que se manifesta externamente.
Referências Citadas
Romanos 6:1-11; Romanos 6:2-4; Romanos 6:11; Romanos 6:12