Jesus Cristo foi entregue à morte para expiar nossos pecados e ressuscitou para nos declarar justos diante de Deus.
Explicação Histórica
A expressão 'O qual' (ὃς) retoma Jesus, nosso Senhor, do versículo anterior. 'Por nossos pecados' (διὰ τὰ παραπτώματα ἡμῶν) indica que a entrega de Cristo foi a causa penal de nossas transgressões, significando um sacrifício expiatório vicário. 'Foi entregue' (παρεδόθη) é um passivo divino, apontando para a entrega de Jesus à morte, seja por Seu próprio consentimento, pela traição ou pelo propósito divino. 'Ressuscitou' (ἠγέρθη), também um passivo divino, refere-se à ação de Deus Pai em levantar Cristo dos mortos. 'Para nossa justificação' (διὰ τὴν δικαίωσιν ἡμῶν) explica o propósito da ressurreição: ela valida a eficácia da morte expiatória de Cristo e garante que o pecador que crê seja declarado justo por Deus.
Interpretação Doutrinária
Este versículo é fundamental para a doutrina da salvação, afirmando que a morte de Cristo é a propiciação pelos pecados da humanidade e Sua ressurreição é a prova e garantia da nossa justificação. A entrega de Cristo pelos pecados ilustra a profundidade da necessidade humana de redenção e a graça de Deus manifestada em Jesus (João 3:16). Sua ressurreição não é apenas um evento histórico, mas o alicerce da nossa nova vida em Cristo, que nos capacita para a santificação e a vida espiritual, refletindo a vitória sobre o pecado e a morte.
Aplicação Prática
O crente deve firmar sua fé na totalidade da obra redentora de Cristo: o sacrifício de Sua vida pelos pecados e o poder de Sua ressurreição para a justificação. Isso convida a uma vida de contínuo arrependimento, gratidão e busca por santificação, vivendo conforme a nova vida que nos foi concedida em Cristo, livre da condenação e com esperança da vida eterna (Romanos 6:4).
Precauções de Leitura
É um erro interpretar este versículo como se a morte de Cristo fosse meramente um exemplo moral ou se a justificação fosse obtida por obras. Não se deve separar a morte e a ressurreição de Cristo, pois ambas são indispensáveis e intrinsecamente ligadas ao processo de justificação. A justificação é um ato declaratório de Deus, não um processo gradual de aperfeiçoamento pessoal, embora resulte em santificação progressiva.