Este versículo reitera que a fé de Abraão lhe foi creditada por Deus como retidão ou justiça, fundamentando a doutrina da justificação pela fé.
Explicação Histórica
A expressão 'lhe foi também imputado como justiça' traduz o grego 'ἐλογίσθη αὐτῷ εἰς δικαιοσύνην' (elogisthe autō eis dikaiosynēn). O verbo 'λογίζομαι' (logizomai), traduzido como 'imputado' ou 'creditado', significa registrar, calcular ou considerar algo como. Aqui, implica que Deus considerou a fé de Abraão como justiça, não como um mérito intrínseco de Abraão, mas como um ato divino de declaração de retidão baseado na sua confiança em Deus. 'Justiça' (δικαιοσύνη - dikaiosynēn) refere-se à condição de ser reto diante de Deus.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina pentecostal e bíblica de que a justificação não é alcançada por obras da lei ou méritos humanos, mas pela fé em Deus. A fé de Abraão foi a base para Deus o declarar justo, ilustrando que a justiça é imputada (creditada) divinamente àqueles que creem. Esta imputação da justiça de Cristo é essencial para a salvação, pois por ela o pecador é declarado reto diante de Deus, inaugurando uma vida de santificação e obediência ao Espírito Santo.
Aplicação Prática
A lição espiritual é que o homem hoje, à semelhança de Abraão, alcança a justificação perante Deus unicamente pela fé em Jesus Cristo. Devemos depositar nossa total confiança na obra redentora de Cristo para a salvação, reconhecendo que a justiça é um dom de Deus recebido pela fé, e não algo que possamos conquistar por esforço próprio. Essa fé verdadeira produz uma vida de arrependimento e busca pela santificação.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar este versículo como se a fé em si mesma fosse uma obra meritória. A fé não é a causa da justificação, mas o meio pelo qual a justiça de Deus é recebida. A fé salvadora é uma entrega e confiança na promessa divina, não um mero assentimento intelectual ou um ato que por si só mereça a salvação, o que anularia a graça.