"E estando ele assentado no tribunal sua mulher mandou-lhe dizer Não entres na questão desse justo porque num sonho muito sofri por causa dele"
Textus Receptus
"E, estando ele assentado no tribunal, sua esposa mandou-lhe dizer: Não te envolvas na questão desse justo, porque eu muito sofri hoje em sonho por causa dele."
A mulher de Pilatos o advertiu para não condenar Jesus, pois teve um sonho perturbador sobre Ele, indicando Sua inocência. Sua intervenção buscou impedir a condenação de um homem justo.
Explicação Histórica
A expressão 'assentado no tribunal' (bēma, em grego) refere-se à plataforma ou cadeira de julgamento de Pilatos, de onde ele exercia sua autoridade judicial. 'Não entres na questão desse justo' é um apelo para não se envolver na condenação de Jesus, referindo-se a Ele como 'justo' (díkaion), evidenciando Sua impecável inocência. A frase 'num sonho muito sofri por causa dele' aponta para uma experiência onírica angustiante e sobrenatural, percebida como um aviso ou revelação divina.
Interpretação Doutrinária
Este versículo ilustra a soberania de Deus agindo em circunstâncias humanas, inclusive por meio de avisos divinos manifestados em sonhos, conforme a crença pentecostal na continuidade da intervenção sobrenatural de Deus e dos dons espirituais. A designação de Jesus como 'justo' (díkaion) é um testemunho da Sua impecabilidade e da Sua perfeita justiça, fundamentando a doutrina da Sua obra vicária e da salvação pela fé em Seu sacrifício, que Ele ofereceu uma vez por todas para justificar pecadores.
Aplicação Prática
O cristão é chamado a discernir os avisos divinos e a buscar a justiça em suas próprias decisões, sempre reconhecendo a santidade de Cristo como modelo e fundamento de sua fé e salvação. Devemos valorizar a intercessão e as advertências espirituais, permanecendo firmes na verdade da justiça de Jesus Cristo.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo para atribuir a todos os sonhos um caráter profético ou normativo para a vida cristã diária. O texto foca na inocência de Cristo e na advertência a Pilatos em um contexto singular de um evento salvífico, e não estabelece uma doutrina geral sobre sonhos como o principal meio de revelação divina para a tomada de decisões pessoais hoje, que deve ser guiada primordialmente pela Palavra de Deus (Bíblia).