"Não vos defraudeis um ao outro senão por consentimento mútuo por algum tempo para vos aplicardes à oração e depois ajuntai-vos outra vez para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência"
Textus Receptus
"Não vos defraudeis um ao outro, exceto se com consentimento, por algum tempo, para que se deem ao jejum e oração; e ajuntai-vos novamente, para que Satanás não vos tente pela vossa falta de autocontrole. "
O versículo instrui cônjuges a não se privarem mutuamente da intimidade conjugal, exceto por consentimento recíproco e por tempo limitado, visando à dedicação à oração, e a retomarem a união para evitar tentações satânicas.
Explicação Histórica
A expressão 'Não vos defraudeis' (apostereite) significa não privar ou despojar um do outro, referindo-se especificamente aos direitos conjugais mutuamente devidos. 'Senão por consentimento mútuo' (symphonō) indica que qualquer interrupção na intimidade deve ser consensual e harmoniosa entre ambos. 'Por algum tempo' (pros kairon) denota a natureza temporária dessa separação. O propósito é 'para vos aplicardes à oração' (scholazete te proseuche), sugerindo dedicação exclusiva e concentrada à vida espiritual. A advertência final, 'para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência' (akrasian), alerta que a falta de autocontrole ou a incapacidade de conter o desejo pode ser uma porta para a tentação do inimigo.
Interpretação Doutrinária
Este texto reafirma a santidade do matrimônio como uma instituição divina e a importância da fidelidade e intimidade conjugal. A permissão para a abstinência temporária com 'consentimento mútuo' para a 'oração' sublinha a prioridade da vida espiritual e da comunhão com Deus na doutrina pentecostal. A advertência sobre a tentação de Satanás pela 'incontinência' reforça a crença na realidade do adversário e a necessidade de vigilância espiritual e autodomínio para preservar a pureza e a ordem no lar cristão, evitando que o inimigo encontre brechas para desvirtuar a santidade do casamento.
Aplicação Prática
Casais cristãos devem entender que a intimidade conjugal é um direito e um dever mútuo, que deve ser exercido com amor e respeito. A oração deve ser uma prioridade, e em momentos de consagração especial, a abstinência temporária pode ser praticada, desde que haja pleno acordo entre ambos e por um período limitado. Após este tempo, a união deve ser restabelecida para proteger o relacionamento de tentações e fortalecer o vínculo conjugal.
Precauções de Leitura
É crucial evitar interpretar este versículo como uma licença para um dos cônjuges negar arbitrariamente a intimidade ao outro, ou para justificar a abstinência prolongada sem o consentimento recíproco e um propósito espiritual claro. O texto enfatiza a mutualidade, a temporalidade e o objetivo específico da oração, alertando que a desobediência a essas diretrizes pode abrir portas à tentação.