Este versículo estabelece que, se uma esposa crente se separar do marido, ela deve permanecer sem casar ou buscar a reconciliação; igualmente, o marido não deve deixar a esposa.
Explicação Histórica
A expressão "se porém, se apartar" (em grego, "chōristhē") denota uma separação de fato, um divórcio ou rompimento da coabitação, mesmo que não legalmente reconhecido em todos os contextos, sendo a exceção à regra de não separação. As opções "que fique sem casar" (agamos menetō) ou "que se reconcilie com o marido" (katallagēto tō andri) são as únicas permissões divinas para a mulher separada, enfatizando a impossibilidade de um novo casamento enquanto o cônjuge vive, e a preferência pela restauração matrimonial. A ordem "que o marido não deixe a mulher" (andra gynaika mē aphienai) é um imperativo recíproco, confirmando que a proibição de abandono é mútua e ressalta a igualdade de responsabilidade na manutenção do vínculo conjugal.
Interpretação Doutrinária
Esta passagem consolida a doutrina da santidade e indissolubilidade do matrimônio cristão, conforme os ensinamentos pentecostais clássicos. Mesmo em caso de separação entre crentes, não há licença para novo casamento, a não ser que o cônjuge venha a falecer (1 Coríntios 7:39). A ênfase é na fidelidade ao voto conjugal e na possibilidade de arrependimento e reconciliação. A instrução visa preservar a pureza da união instituída por Deus e manter a ordem na Igreja, refletindo o ideal de um relacionamento duradouro e pactuado sob a benção divina, onde o abandono não é uma opção para o crente.
Aplicação Prática
O crente é exortado a valorizar e proteger o pacto matrimonial como uma instituição divina. Caso haja dificuldades conjugais que levem à separação, o caminho bíblico é buscar a reconciliação com o cônjuge, através de oração e perdão, ou, na impossibilidade da reconciliação, permanecer em estado de celibato, aguardando a direção de Deus. Tanto o marido quanto a esposa têm a responsabilidade de não abandonar o lar e de zelar pela união.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo dos demais preceitos de 1 Coríntios 7 e de outras passagens bíblicas sobre o casamento e o divórcio. A "separação" mencionada aqui não deve ser interpretada como uma base para remarriage, mas sim como uma situação temporária que exige reconciliação ou celibato. O contexto para liberdade de remarriage é dado em casos específicos como a morte do cônjuge (1 Coríntios 7:39) ou, em algumas interpretações, o abandono por parte de um cônjuge incrédulo (1 Coríntios 7:15), embora para o crente, a reconciliação seja sempre o ideal.