Deus ordena a Israel que construa um santuário para Si, prometendo habitar entre eles, manifestando Sua presença e comunhão.
Explicação Histórica
A expressão "E me farão um santuário" traduz o hebraico 'v'asu li miqdash', onde 'miqdash' (de qadash, ser santo) significa 'lugar santo' ou 'santuário', denotando um espaço separado e dedicado exclusivamente a Deus. O verbo 'v'asu' (farão) é um imperativo no hebraico, indicando uma ordem divina direta. A frase "e habitarei no meio deles" vem do hebraico 'v'shakhanti b'tokham'. 'Shakhanti' (habitarei) deriva da raiz 'shakan', que significa 'morar', 'residir' ou 'fixar residência', e é a raiz da palavra 'Shekinah', que se refere à glória e presença manifesta de Deus. 'B'tokham' significa 'no meio deles', enfatizando a proximidade e a comunhão íntima que Deus desejava com Seu povo.
Interpretação Doutrinária
Este versículo estabelece o princípio fundamental do desejo de Deus de habitar e ter comunhão com Seu povo. A construção do santuário, sob a Antiga Aliança, era um tipo ou sombra da presença de Deus no Novo Testamento, manifestada plenamente em Jesus Cristo (João 1:14) e, posteriormente, através do Espírito Santo habitando no crente individual (1 Coríntios 6:19) e na Igreja coletivamente (1 Coríntios 3:16). Isso consolida a doutrina pentecostal da atualidade da presença de Deus entre os salvos e a importância da santificação para tal comunhão.
Aplicação Prática
Hoje, o cristão é o 'templo do Espírito Santo', e a congregação dos fiéis constitui o 'santuário espiritual' onde Deus habita. Portanto, devemos buscar a santificação e a pureza de coração, preparando nossa vida e o ambiente da igreja para que a gloriosa presença de Deus possa ser manifestada e experimentada no meio de nós, através da obediência à Sua Palavra e da busca pelos dons espirituais.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar este versículo como uma exigência literal de um santuário físico específico para a presença de Deus na Nova Aliança. A compreensão deve ser espiritual e tipológica, reconhecendo que o cumprimento final desta promessa está na habitação do Espírito Santo no crente e na Igreja, e não em estruturas físicas feitas por mãos humanas.