"E se lhe não fizer estas três coisas sairá de graça sem dar dinheiro"
Textus Receptus
"E se ele não cumprir estes três para com ela, então ela sairá livre destituída de dinheiro."
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Palavra
Qtd. V.T.
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Texto Central
Este versículo estabelece que, se um senhor não prover as três garantias essenciais (mantimento, vestuário e débito conjugal) a uma serva desposada, ela será libertada sem custo. Ele assegura a dignidade e os direitos básicos da mulher em tal condição.
Explicação Histórica
A expressão 'estas três coisas' refere-se ao mantimento, vestuário e débito conjugal, conforme detalhado nos versículos 9-10. 'Mantimento' (em hebraico, she'erah) indica alimento; 'vestido' (kesutah) refere-se à roupa; e 'débito conjugal' (v'onatah) alude à intimidade e aos direitos maritais. A falha em prover qualquer um desses direitos fundamentais levava à sua liberdade imediata, 'de graça' (ḥinnam), ou seja, sem a necessidade de pagamento de resgate ou compensação, e 'sem dar dinheiro' (ein kesef), reforçando a gratuidade de sua libertação.
Interpretação Doutrinária
Este mandamento reflete a justiça e a compaixão de Deus, que estabelece leis para proteger os mais vulneráveis na sociedade, mesmo dentro das estruturas sociais da época. Ele demonstra que o Senhor valoriza a dignidade humana e exige que os crentes tratem uns aos outros com equidade e amor, cumprindo suas responsabilidades. A liberdade concedida 'de graça' antecipa a natureza da salvação em Cristo, que também é um dom imerecido pela graça divina, não por mérito ou pagamento.
Aplicação Prática
Como cristãos, somos chamados a imitar a justiça e a compaixão de Deus, tratando todas as pessoas, especialmente as que estão em posições de vulnerabilidade, com dignidade, respeito e equidade. Devemos cumprir nossos compromissos e responsabilidades, buscando sempre a retidão em nossas relações interpessoais, e valorizar a liberdade em Cristo que nos foi concedida pela graça divina.
Precauções de Leitura
É crucial evitar a aplicação literal destas leis sobre escravidão em um contexto moderno, pois elas se referem a uma realidade social e legal da antiguidade que não se alinha com a ética cristã contemporânea. A ênfase não é na aprovação da escravidão, mas na regulamentação de uma instituição existente para garantir justiça e proteção aos oprimidos, refletindo o cuidado de Deus dentro daquele contexto histórico-cultural.