"Não é por causa da tua justiça nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra mas pela impiedade destas nações o Senhor teu Deus as lança fora de diante de ti e para confirmar a palavra que o Senhor teu Deus jurou a teus pais Abraão Isaque e Jacó"
Textus Receptus
"Não é pela tua justiça, nem pela retidão do teu coração, que vais possuir a terra; mas pela iniquidade dessas nações, o SENHOR teu Deus as expulsa de diante de ti, e para que ele possa realizar a obra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. "
A posse da terra prometida por Israel não se deve à sua justiça ou retidão, mas à impiedade das nações e ao cumprimento da promessa de Deus aos patriarcas.
Explicação Histórica
A frase 'Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração' nega que a entrada na terra seja um resultado do mérito moral de Israel. 'Justiça' (tsedakah) refere-se à retidão em ações e caráter, enquanto 'retidão do coração' (yashar lev) descreve a integridade e sinceridade interior. 'Tua impiedade destas nações' (tsar'at ha-goyim ha-eleh) aponta para a depravação moral e idolatria dos povos cananeus. 'As lança fora, de diante de ti' (gerusham mi-panecha) descreve a expulsão divina das nações. 'Confirmar a palavra que... jurou' (lema'an haqim et ha-davar asher) refere-se ao cumprimento da promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó, fundamentada no juramento de Deus.
Interpretação Doutrinária
Este versículo é fundamental para a doutrina da graça e da soberania de Deus. Ele ensina que a salvação e as bênçãos divinas não são merecidas pelo homem, mas concedidas pela fidelidade de Deus às Suas promessas e pelo Seu juízo sobre o pecado. A entrada na Terra Prometida prefigura a salvação em Cristo, que não é obra humana, mas um dom gratuito de Deus (Efésios 2:8-9), obtido pelo sacrifício de Jesus e recebido pela fé, não por obras de justiça (Tito 3:5). A impiedade das nações aponta para o juízo divino sobre o pecado.
Aplicação Prática
Os crentes devem entender que a salvação e a vida cristã são primariamente obra de Deus, não um resultado de seus próprios méritos ou esforço para serem 'bons'. Devemos cultivar humildade, reconhecendo que tudo o que temos e somos vem da graça divina e do cumprimento das promessas de Deus em Cristo. Devemos também confiar na fidelidade de Deus, que honra Seus juramentos e cumprirá Seus propósitos, mesmo diante de nossas falhas.
Precauções de Leitura
Evitar a interpretação de que a desobediência e a impiedade das nações justificam a impiedade ou a desconsideração do pecado por parte de Israel ou dos crentes. O versículo não anula a necessidade de santificação e obediência, mas estabelece a base da graça sobre a qual essas virtudes devem ser praticadas. Não se deve usar o 'juramento aos patriarcas' como base para reivindicações de mérito ou direitos não fundamentados na fé em Cristo.