"E me lancei perante o Senhor como dantes quarenta dias e quarenta noites não comi pão e não bebi água por causa de todo o vosso pecado que havíeis pecado fazendo mal aos olhos do Senhor para o provocar à ira"
Textus Receptus
"E caí diante do SENHOR, como nos primeiros quarenta dias e quarenta noites; não comi pão, nem bebi água, por causa de todos os vossos pecados, que pecastes, agindo impiamente aos olhos do SENHOR para provocá-lo à ira. "
Moisés intercede perante o Senhor por Israel, jejuando e prostrado, por causa do pecado do bezerro de ouro.
Explicação Histórica
O verbo 'lancei-me' (Hebreu: 'etpaall') sugere uma prostração intensa ou um súplice lançamento perante a presença de Deus. 'Como dantes' (Hebreu: 'ka'shonam') refere-se à sua anterior intercessão após o incidente dos espias (Números 14:14). Os 'quarenta dias e quarenta noites' enfatizam a seriedade e a duração da sua intercessão e jejum, sem comer ou beber. A causa explícita foi 'todo o vosso pecado' que resultou em 'fazer mal' e 'provocar à ira' o Senhor.
Interpretação Doutrinária
Este texto ilustra a importância da intercessão e do jejum como práticas espirituais que podem influenciar a ação divina, embora a soberania de Deus seja absoluta. A disposição de Moisés em se sacrificar pelo povo reflete o caráter mediador que aponta para o ministério intercessório de Cristo, nosso Sumo Sacerdote (Hebreus 7:25). Demonstra também a gravidade do pecado e a ira de Deus contra ele, mas também Sua misericórdia para com aqueles que se arrependem e intercedem.
Aplicação Prática
Os crentes são chamados a interceder uns pelos outros e pela igreja, demonstrando amor e preocupação pelo próximo. O jejum, quando praticado com sinceridade, pode ser uma ferramenta para aprofundar a comunhão com Deus e expressar a seriedade do arrependimento e da busca por Sua vontade.
Precauções de Leitura
Evitar a interpretação de que o jejum ou a intercessão humana podem forçar a mão de Deus ou anular Sua justiça. A intercessão de Moisés foi eficaz porque estava alinhada com o caráter misericordioso de Deus e ocorreu dentro do plano divino. Não se deve isolar a prática do jejum como um fim em si mesma, mas sim como um meio de adoração e submissão a Deus.