Rute declara a Boaz que, embora ele tenha o direito de redenção, existe um parente mais próximo com prioridade legal.
Explicação Histórica
O termo hebraico 'go'el' (remidor) refere-se a um parente próximo, geralmente um homem, que tinha o direito e o dever legal de resgatar propriedades de um membro da família que caíra em necessidade ou restaurar um parente em certas situações. Rute reconhece que Boaz é um 'go'el' ('remidor'), mas aponta para a lei do levirato e do parente redentor que priorizava o parente mais próximo. A expressão 'mais chegado do que eu' refere-se à proximidade de parentesco, que determinava a ordem de prioridade para o resgate.
Interpretação Doutrinária
Este episódio prefigura a obra redentora de Jesus Cristo. Boaz, como um 'go'el' humano, antecipa Cristo, o nosso Redentor divino. A lei do parente redentor, com suas complexidades e prioridades, aponta para a necessidade de um resgate perfeito e absoluto, que só Cristo, o nosso parente mais próximo em humanidade e, ao mesmo tempo, Deus, pôde efetuar. A salvação não viria por nossos méritos, mas através da intervenção de um redentor qualificado e disposto, como Cristo.
Aplicação Prática
Devemos reconhecer que, por nós mesmos, estamos em uma condição de necessidade e não podemos nos redimir. Assim como Rute buscou um redentor humano, nós devemos buscar e confiar em Jesus Cristo, nosso Redentor supremo, que se dispôs a nos resgatar do pecado e da morte, pagando o preço necessário com Seu próprio sangue.
Precauções de Leitura
Não se deve interpretar a história de Rute como um endosso à busca ativa por um cônjuge por parte da mulher, nem focar excessivamente na mecânica legalista da redenção sem o seu significado espiritual em Cristo. A prioridade do parente mais próximo na lei mosaica não deve ser aplicada fora de seu contexto para outras relações humanas.