Este versículo descreve a condição do homem antes da redenção, onde as inclinações pecaminosas, ativadas pela Lei, operavam nos membros, gerando resultados que conduziam à morte espiritual.
Explicação Histórica
'Na carne' (en sarki) não se refere apenas ao corpo físico, mas à natureza humana decaída, sem a obra regeneradora do Espírito, dominada pelo pecado. 'Paixões dos pecados' (pathemata ton hamartion) são as afeições e desejos desordenados, os impulsos pecaminosos inerentes à natureza adâmica. 'Que são pela lei' (ta dia tou nomou) não significa que a Lei criou o pecado, mas que ela o revelou e, paradoxalmente, excitou a natureza pecaminosa, dando-lhe ocasião (Romanos 7:7-8). 'Obravam em nossos membros' (energeito en tois melesin hemon) indica que essas paixões estavam ativamente operando e manifestando-se nas faculdades do ser humano. 'Fruto para a morte' (karpon eis ton thanaton) aponta para o resultado inevitável dessas paixões pecaminosas: separação de Deus e condenação espiritual.
Interpretação Doutrinária
Este versículo ilustra a doutrina da depravação humana e a incapacidade do homem natural de se agradar a Deus ou cumprir a Lei por suas próprias forças (Romanos 3:20). A Lei, sendo santa, justa e boa (Romanos 7:12), serviu para expor o poder do pecado na 'carne', demonstrando a necessidade imperativa da salvação pela graça através da fé em Jesus Cristo. A interpretação pentecostal enfatiza que o 'estar na carne' é a condição de quem ainda não experimentou a regeneração pelo Espírito Santo, e que a libertação dessa escravidão do pecado e da Lei vem pela união com Cristo, capacitando o crente a andar em novidade de vida (Romanos 6:4) e a produzir frutos de santidade.
Aplicação Prática
O crente deve reconhecer sua condição anterior de escravo do pecado e valorizar a libertação alcançada em Cristo. É um chamado para viver sob a direção do Espírito Santo, pois somente assim se pode mortificar as obras da carne e produzir frutos que glorifiquem a Deus. Busca-se continuamente a santificação, resistindo às paixões pecaminosas e cultivando uma vida de obediência à Palavra de Deus, em gratidão pela salvação.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar este versículo como se a Lei fosse a causa do pecado ou intrinsecamente má; a Lei é santa, mas revela e intensifica o pecado na natureza caída. Não se deve concluir que o crente salvo ainda está 'na carne' no mesmo sentido que Paulo descreve aqui para o homem não regenerado. A passagem descreve um estado *anterior* à união com Cristo, e não a experiência contínua do crente que anda no Espírito. Também não se deve usar isso para justificar o pecado, mas para compreender a profundidade da redenção em Cristo.
Referências Citadas
Romanos 7:1-4, Romanos 7:7-8, Romanos 7:12, Romanos 3:20, Romanos 6:4