O versículo instrui a não ter débitos materiais com ninguém, exceto a dívida contínua do amor mútuo, pois o amor ao próximo sintetiza e cumpre os preceitos da Lei de Deus.
Explicação Histórica
A expressão 'a ninguém devais coisa alguma' refere-se primariamente a débitos financeiros ou materiais que geram servidão e preocupação. A exceção, 'a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros', indica que o amor é uma obrigação perpétua e recíproca, uma 'dívida' que nunca é paga completamente, mas constantemente expressa. A expressão 'cumpriu a lei' (pleróo ton nomon) significa que o amor não anula a Lei, mas a preenche, a completa e manifesta seu propósito mais elevado, especialmente no que diz respeito às relações humanas.
Interpretação Doutrinária
Na perspectiva pentecostal, este versículo salienta que a vida cristã, fundamentada na salvação por Cristo, não está isenta das exigências morais da Lei, mas as cumpre através do amor. O amor é um fruto do Espírito (Gálatas 5:22) e a prova viva da conversão e da santificação. Ele reflete a natureza de Cristo e é a base para a comunhão e a obediência aos mandamentos do Senhor, como a 'nova aliança' do amor (João 13:34-35).
Aplicação Prática
O cristão é exortado a buscar a liberdade de débitos materiais que possam comprometer seu testemunho e sua paz. Acima de tudo, deve cultivar um amor sincero, sacrificial e contínuo por todos, especialmente pelos irmãos na fé, pois é através deste amor que os mandamentos de Deus são vividos plenamente e o Corpo de Cristo é edificado.
Precauções de Leitura
É importante não interpretar a proibição de 'dever coisa alguma' como uma condenação absoluta a qualquer tipo de empréstimo ou financiamento legítimo, mas sim como um alerta contra dívidas irresponsáveis que geram opressão e comprometem a liberdade espiritual. Ademais, 'cumpriu a lei' não significa salvação por obras, mas que o amor é a evidência autêntica da fé salvadora e da operação do Espírito Santo na vida do crente.