"Porque os magistrados não são terror para as boas obras mas para as más Queres tu pois não temer a potestade Faze o bem e terás louvor dela"
Textus Receptus
"Porque os governantes não são terror para as boas obras, mas para as más. Tu então não queres temer a autoridade? Faze o que é bom e terás louvor dela."
O versículo afirma que as autoridades governamentais não representam ameaça para aqueles que praticam o bem, mas sim para os que praticam o mal, incentivando a boa conduta para obter reconhecimento positivo delas.
Explicação Histórica
Os 'magistrados' (ἀρχοντες - archontes) referem-se aos governantes civis. O termo 'terror' (φόβος - phobos) indica que as autoridades inspiram temor naqueles que agem de forma transgressora. 'Boas obras' (τὸ ἀγαθὸν ἔργον) denota ações moralmente corretas e úteis à sociedade, enquanto 'más' (τοῦ κακοῦ) aponta para atos ilícitos. 'Potestade' (τὴν ἐξουσίαν - ten exousian) reitera a ideia de autoridade governamental. A expressão 'Faze o bem' (Ποίει τὸ ἀγαθόν) é uma ordem para praticar ações justas, resultando em 'louvor dela' (ἕξεις ἔπαινον ἐξ αὐτῆς), significando aprovação ou reconhecimento da autoridade.
Interpretação Doutrinária
Este texto consolida a doutrina da soberania de Deus sobre as instituições humanas, pois as autoridades são vistas como ministras divinas para a ordem e a justiça. Para o pentecostalismo clássico, a obediência às leis e a prática de boas obras são frutos da fé e da santificação, demonstrando um testemunho íntegro no mundo. A vida em retidão diante das leis civis é uma expressão da submissão à vontade de Deus e um reflexo da nova vida em Cristo (1 Pedro 2:13-14).
Aplicação Prática
O crente é chamado a viver uma vida de retidão e integridade cívica, cumprindo as leis e contribuindo para a paz social. Ao praticar o bem, o cristão não apenas evita punições, mas demonstra sua obediência a Deus, glorificando-O através de seu bom testemunho e conduta irrepreensível na sociedade (Mateus 5:16).
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como um comando para obedecer a autoridades que exijam práticas contrárias aos princípios bíblicos ou à lei de Deus (Atos 5:29). O 'louvor' das autoridades não é o objetivo supremo da vida cristã, mas uma consequência natural de um viver justo. O texto pressupõe uma função ideal da autoridade, mas o princípio da sua instituição divina permanece, mesmo em face de governos imperfeitos.
Referências Citadas
Romanos 13:1, Romanos 13:2, Romanos 13:4, 1 Pedro 2:13-14, Mateus 5:16, Atos 5:29