"Os quais conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam) não somente as fazem mas também consentem aos que as fazem"
Textus Receptus
"os quais, conhecendo o julgamento de Deus, que os que cometem tais coisas são dignos de morte, não somente as fazem, mas têm prazer naqueles que as fazem."
Este versículo conclui a descrição da depravação humana, afirmando que as pessoas, apesar de conhecerem o juízo divino sobre o pecado, não só o praticam como também aprovam aqueles que o fazem.
Explicação Histórica
A expressão 'Os quais' refere-se aos indivíduos descritos nos versículos anteriores, envolvidos em diversas práticas pecaminosas. 'Conhecendo a justiça de Deus' indica uma compreensão inata ou revelada do padrão moral de Deus e das consequências do pecado, não necessariamente um conhecimento salvífico. A frase parentética '(que são dignos de morte os que tais coisas praticam)' esclarece que a 'justiça de Deus' implica o juízo e a condenação espiritual (morte) para o pecado. A parte crucial 'não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem' (do grego 'συνευδοκοῦσιν' - syneudokousin) eleva a culpabilidade, pois denota não apenas a prática pessoal do mal, mas também a aprovação, o deleite ou a complacência com o pecado de outrem.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina da culpabilidade universal do homem diante de Deus, pois mesmo aqueles sem a Lei Mosaica possuem um conhecimento inato da justiça divina (Romanos 2:14-15), tornando-os indesculpáveis. A 'morte' mencionada aponta para a separação espiritual de Deus e a condenação eterna, evidenciando a seriedade do pecado. A aprovação do pecado alheio demonstra uma profundidade ainda maior da depravação, reforçando a necessidade da graça divina e da salvação exclusiva em Jesus Cristo, conforme a teologia pentecostal clássica que enfatiza a santificação e a separação do mundo.
Aplicação Prática
O cristão deve atentar para a seriedade do pecado e a justiça de Deus, buscando viver em santidade e abstenção não só da prática do mal, mas também do consentimento ou da aprovação de qualquer conduta contrária à Palavra. É um chamado à vigilância contra as influências mundanas e à promoção da retidão, afastando-se de toda forma de mal e incentivando a retidão entre os irmãos (Efésios 5:11; 2 Coríntios 6:17).
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar o 'conhecimento da justiça de Deus' como um conhecimento salvífico por si só, mas sim como um discernimento moral que agrava a culpa humana. Não se deve isolar este versículo para julgar outros, mas para entender a condição caída da humanidade e a universalidade da necessidade de arrependimento e da graça de Deus em Cristo.
Referências Citadas
Romanos 1:18-31; Romanos 2:14-15; Efésios 5:11; 2 Coríntios 6:17