"E disse-lhes Jesus Podem porventura andar tristes os filhos das bodas enquanto o esposo está com eles Dias porém virão em que lhes será tirado o esposo e então jejuarão"
Textus Receptus
"E disse-lhes Jesus: Podem os convidados do noivo estar de luto, enquanto o noivo está com eles? Mas dias virão, em que lhes será tirado o noivo, e então hão de jejuar."
Jesus responde à questão sobre o jejum, explicando que seus discípulos, como convidados em uma boda, não precisam jejuar enquanto Ele, o Esposo, está presente, mas o farão após Sua partida.
Explicação Histórica
A expressão 'filhos das bodas' (gr. huios tou nymphōnos) refere-se aos convidados de um casamento, pessoas que compartilham da alegria do noivo. 'Esposo' (gr. nymphios) é uma clara auto-referência de Jesus, utilizando uma metáfora comum para a relação entre Deus e Seu povo (Oséias 2:19-20) e Cristo e a Igreja (Efésios 5:25-27). A frase 'lhes será tirado o esposo' é uma profecia velada de Sua morte, ressurreição e ascensão, indicando um período futuro de Sua ausência física, momento em que o jejum seria apropriado.
Interpretação Doutrinária
A doutrina pentecostal compreende que Jesus, o Esposo, inaugurou uma era de graça e alegria. Sua presença física trazia tal plenitude que rituais de luto como o jejum não eram adequados. Contudo, a profecia 'então jejuarão' valida o jejum como uma prática espiritual para os crentes após a ascensão de Cristo, não como uma prática legalista, mas como um ato de busca sincera, arrependimento e dedicação a Deus em um mundo onde o Esposo está espiritualmente presente, mas fisicamente ausente, aguardando Sua segunda vinda. Isso demonstra a importância da busca por santificação e aprofundamento na vida espiritual.
Aplicação Prática
Para o cristão hoje, este versículo ensina que a vida em Cristo é fundamentalmente alegre devido à Sua salvação e à Sua presença pelo Espírito Santo. No entanto, o jejum é uma disciplina espiritual válida e poderosa, não uma exigência legal, mas uma prática voluntária de humildade e súplica, a ser empreendida em momentos de busca intensa por Deus, arrependimento, intercessão ou preparação espiritual, como um meio de se aproximar do Senhor e expressar a dependência Nele.
Precauções de Leitura
É crucial evitar a interpretação de que Jesus aboliu o jejum definitivamente para todos os tempos. O texto indica uma mudança na razão e no momento do jejum, não sua eliminação. Da mesma forma, não se deve jejuar por ostentação ou como meio de merecer a salvação, mas com sinceridade de coração e foco em Deus, sem cair no legalismo ou na autossuficiência religiosa. Este versículo deve ser lido em conjunto com os versículos seguintes (Mateus 9:16-17) para compreender a novidade do evangelho e a inadequação de tentar encaixar a nova aliança em velhas estruturas rígidas.