"Eu vos digo porém que qualquer que repudiar sua mulher não sendo por causa de prostituição e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada também comete adultério"
Textus Receptus
"E eu vos digo, que quem repudiar sua esposa, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada comete adultério."
Jesus reafirma a indissolubilidade do casamento instituído por Deus, condenando o divórcio e o recasamento sem a causa específica de prostituição como adultério.
Explicação Histórica
'Eu vos digo, porém' (ἐγὼ δὲ λέγω ὑμῖν) demonstra a autoridade de Jesus, elevando o padrão moral acima da lei mosaica. 'Repudiar sua mulher' (ἀπολύσῃ τὴν γυναῖκα αὐτοῦ) refere-se ao ato legal de divórcio. A expressão crucial 'não sendo por causa de prostituição' (μὴ ἐπὶ πορνείᾳ) utiliza o termo grego 'porneia', que é mais abrangente que adultério ('moicheia'), podendo incluir fornicação, imoralidade sexual de diversos tipos, ou casamentos ilícitos (como uniões incestuosas ou aquelas não conformes à lei judaica). Neste contexto, é a única exceção dada por Jesus para o divórcio que não resulta em adultério ao recasar. 'Comete adultério' (μοιχεύεται) e 'também comete adultério' (μοιχεύεται) enfatizam que qualquer novo casamento após um divórcio sem esta exceção viola a santidade do matrimônio e constitui adultério, tanto para quem se divorcia e recasa, quanto para quem casa com a pessoa divorciada sem justa causa.
Interpretação Doutrinária
Este ensinamento consolida a doutrina pentecostal clássica da santidade e indissolubilidade do casamento, que é uma instituição divina e sagrada (Gênesis 2:24). A 'porneia' é apresentada como a única base que permite o divórcio sem que o recasamento posterior constitua adultério, ressaltando a seriedade do pecado sexual. A interpretação reafirma que o casamento é um pacto de fidelidade e permanência, refletindo a união de Cristo com a Igreja, e que sua dissolução é uma quebra desse pacto e da vontade de Deus, exceto em casos de grave imoralidade sexual que já corrompeu a essência da união.
Aplicação Prática
Os cristãos devem buscar viver em santidade e fidelidade dentro do matrimônio, honrando o vínculo sagrado estabelecido por Deus. É imperativo buscar a reconciliação e o perdão, evitando a dissolução do casamento por motivos triviais. A busca pela pureza moral e sexual é fundamental, e a oração e a orientação do Espírito Santo devem guiar todas as decisões relacionadas à vida conjugal, mantendo a integridade do lar cristão.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar a cláusula de 'porneia' como uma permissão leviana para o divórcio por qualquer infidelidade. Jesus não anula a seriedade do casamento, mas reafirma seu padrão original. A ênfase é na permanência do casamento, e a exceção é para situações extremas que já quebraram o pacto, não um pretexto para justificar o divórcio por conveniência ou por dureza de coração, como ocorria na época de Moisés. O foco deve ser sempre na santidade do matrimônio e na reconciliação quando possível.