Os fariseus aproximaram-se de Jesus com a intenção de testá-Lo, questionando se era lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo.
Explicação Histórica
A expressão "chegaram ao pé dele" indica uma aproximação deliberada. Os "fariseus" eram um grupo religioso que se apegava estritamente à Lei, mas frequentemente com um espírito legalista e hostil a Jesus. O termo "tentando-o" (grego: peirazontes) significa pôr à prova com a intenção de encontrar falha, e não buscar conhecimento sincero. A questão "É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?" refere-se à permissão legal (grego: exestin) para o divórcio (grego: apolysai), abordando uma controvérsia rabínica da época sobre as razões para a separação (Deuteronômio 24:1-4).
Interpretação Doutrinária
A pergunta dos fariseus realça a deturpação humana da lei divina, buscando uma justificação para o divórcio por trivialidades, contrastando com o propósito sagrado do casamento estabelecido por Deus em Gênesis 2:24. Esta tentativa de enganar a Cristo sublinha a necessidade de se apegar à verdade da Palavra de Deus e não a interpretações convenientes. A subsequente resposta de Jesus, embora não contida neste versículo, fundamenta a doutrina pentecostal da santidade e indissolubilidade do casamento como uma aliança divina, salvo em casos específicos de fornicação (Mateus 19:9).
Aplicação Prática
O cristão deve permanecer vigilante contra influências que buscam flexibilizar os princípios divinos. É fundamental zelar pela santidade do casamento, reconhecendo-o como uma instituição sagrada e indissolúvel segundo a vontade de Deus. A busca por santificação pessoal inclui honrar os mandamentos de Cristo na vida conjugal, resistindo a tendências que banalizam o compromisso.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo isoladamente. Ele apresenta a pergunta capciosa dos fariseus, mas não a resposta de Jesus. A totalidade do ensino de Cristo sobre o divórcio e o casamento é encontrada nos versículos subsequentes de Mateus 19 (e em Marcos 10:2-12). Isolar a pergunta dos fariseus poderia levar à errônea conclusão de que o divórcio por "qualquer motivo" é permitido, o que contradiz o ensino de Jesus.