Jesus admoestou Seus discípulos, proibindo-os de revelar a ninguém que Ele era o Cristo.
Explicação Histórica
A expressão 'admoestando-os' (do grego epitimésas autois) denota uma repreensão ou um mandamento sério e estrito. Jesus não estava apenas sugerindo, mas proibindo categoricamente que 'a ninguém referissem isso' (ou seja, a confissão de Sua identidade como Cristo). O 'isso' (touto) refere-se diretamente à revelação de Sua identidade messiânica. Esta 'ordem de silêncio' visava evitar concepções errôneas populares sobre um Messias político-terreno e preparar o terreno para a compreensão de Seu papel como o Servo sofredor, cuja obra seria consumada na cruz e ressurreição.
Interpretação Doutrinária
Este episódio sublinha a soberania de Deus e o cumprimento de Seu plano divino em relação à identidade de Cristo. A proibição de Jesus demonstra a importância do tempo e da maneira estabelecidos por Deus para a revelação completa de Sua obra redentora. A Confissão de Pedro, seguida pela ordem de silêncio e o anúncio da Paixão, reforça que o Messias de Deus não era um líder político, mas o Salvador que sofreria e morreria para a salvação da humanidade, conforme a teologia pentecostal clássica sobre a expiação de Cristo.
Aplicação Prática
O cristão deve buscar discernir o tempo e a vontade de Deus em sua vida, compreendendo que nem toda verdade é para ser proclamada imediatamente, mas no tempo oportuno divinamente estabelecido. É essencial que nossa compreensão e proclamação de Cristo estejam alinhadas à revelação bíblica completa de Sua obra salvífica, que inclui Seu sacrifício, morte, ressurreição e glorificação.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar esta passagem como uma negação da messianidade de Jesus ou como um pretexto para o silêncio do crente sobre a sua fé. A ordem era específica para o contexto imediato da revelação de Jesus antes da cruz, e não uma proibição geral de evangelismo. Não se deve isolar este versículo do contexto maior da narrativa de Lucas sobre a paixão e a missão de Cristo.