"Disseram-lhe então eles Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes e fazem orações como também os dos fariseus mas os teus comem e bebem"
Textus Receptus
"E lhe disseram: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, e semelhante os discípulos dos fariseus, mas os teus comem e bebem?"
O versículo registra a pergunta dos fariseus e dos discípulos de João a Jesus, questionando por que Seus discípulos não jejuavam e oravam como eles, mas comiam e bebiam.
Explicação Histórica
'Jejuam muitas vezes, e fazem orações' refere-se a práticas de piedade estabelecidas no judaísmo, associadas à penitência e busca espiritual, como as observadas pelos fariseus (Lucas 18:12) e discípulos de João. A expressão 'comem e bebem' contrasta com o jejum, indicando a participação dos discípulos de Jesus em refeições e celebrações, simbolizando a alegria e a abundância de Sua presença.
Interpretação Doutrinária
Conforme a doutrina pentecostal, este versículo ilustra a nova era trazida por Cristo. A presença do 'Noivo' (Jesus) inaugura um tempo de celebração e alegria espiritual, que não se coaduna com o luto e a penitência ritualística do judaísmo legalista. Embora o jejum e a oração sejam disciplinas válidas para o cristão (Mateus 6:16-18), sua prática deve ser motivada pelo Espírito e pelo propósito divino, e não por imposições externas, refletindo a liberdade e a nova vida em Cristo.
Aplicação Prática
O cristão deve discernir o tempo espiritual e viver em Cristo com alegria e gratidão, sem se prender a rituais vazios ou imposições humanas. As disciplinas espirituais, como jejum e oração, são importantes, mas devem ser praticadas com um coração sincero e em submissão à vontade de Deus, buscando santificação e aprofundamento na comunhão com o Senhor.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar este versículo como uma abolição do jejum ou da oração. Jesus não condena essas práticas, mas sim a imposição legalista e o tempo inoportuno para elas. A cautela é evitar julgar a espiritualidade alheia por suas práticas externas e não usar este texto para justificar a negligência das disciplinas espirituais ordenadas para o tempo adequado.
Referências Citadas
Lucas 5:27-32, Lucas 5:34-39, Lucas 18:12, Mateus 6:16-18