Pilatos, pela terceira vez, declara que não encontra em Jesus culpa de morte e, numa tentativa de apaziguar a multidão, propõe castigá-lo e então soltá-lo.
Explicação Histórica
A expressão 'pela terceira vez' enfatiza a persistência de Pilatos em sua convicção da inocência de Jesus e sua tentativa de evitar a condenação. A pergunta retórica 'Mas que mal fez este?' reforça a ausência de evidências de crime capital. 'Não acho nele culpa alguma de morte' é uma declaração judicial explícita, atestando a impecabilidade de Jesus diante da lei romana. 'Castigá-lo-ei pois, e soltá-lo-ei' revela a intenção de Pilatos de aplicar um castigo menor, como a flagelação, na esperança de satisfazer a multidão e assim libertar Jesus, sem contudo condená-lo à morte, que ele considerava imerecida.
Interpretação Doutrinária
A reiteração da inocência de Jesus por Pilatos é fundamental para a compreensão pentecostal da expiação. A ausência de 'culpa alguma de morte' em Cristo atesta Sua perfeita santidade, tornando-O o sacrifício imaculado e sem mancha necessário para a remissão dos pecados da humanidade (Hebreus 4:15). A disposição de Pilatos em flagelar um inocente, mesmo com a intenção de libertar, prenuncia o sofrimento vicário de Cristo, que foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades.
Aplicação Prática
O crente deve reconhecer a impecabilidade de Cristo como a base segura de sua salvação e o sacrifício de um Salvador justo por pecadores. Somos chamados a buscar a santificação e a retidão, vivendo de forma que reflita a pureza do Cordeiro de Deus, e a discernir a verdade mesmo quando a maioria a rejeita, não cedendo à pressão para comprometer a justiça.
Precauções de Leitura
É um erro interpretar a proposta de Pilatos de 'castigá-lo-ei e soltá-lo-ei' como uma solução justa ou aceitável. Embora Pilatos buscasse uma saída, essa sugestão representa um compromisso com a injustiça e a tentativa humana de mitigar o mal, em vez de defender plenamente a inocência. Não se deve usar este texto para justificar qualquer forma de punição a inocentes ou o apaziguamento de multidões por meio de sacrifícios indevidos.
Referências Citadas
Lucas 23:4, Lucas 23:14-15, Lucas 23:23-25, Hebreus 4:15