Moisés expressa sua persistente dúvida ao Senhor, questionando como Faraó o ouviria, pois se considerava inadequado para falar, referindo-se a si mesmo como 'incircunciso dos lábios'.
Explicação Histórica
A expressão 'incircunciso dos lábios' (hebraico 'aral sefatayim') é uma metáfora que denota dificuldade ou impedimento na fala, ou seja, inabilidade de comunicar-se claramente e com eloquência. Não se refere a uma circuncisão literal dos lábios, mas a uma inadequação figurativa, como algo 'não aberto' ou 'imperfeito', ecoando sua declaração anterior de ser 'pesado de boca e pesado de língua' (Êxodo 4:10).
Interpretação Doutrinária
A persistente objeção de Moisés revela a natureza humana de fraqueza e incredulidade diante de um chamado divino, que se contrapõe à soberania e paciência de Deus. Este evento ilustra que Deus escolhe e capacita aqueles que, em sua própria visão, são insuficientes, para que a glória da obra seja exclusivamente d'Ele, confirmando que a capacitação vem do Espírito Santo, não da capacidade humana (1 Coríntios 1:27-29).
Aplicação Prática
O cristão deve confiar que Deus capacita aqueles que Ele chama, independentemente de suas fraquezas percebidas. É um encorajamento para não duvidar do poder de Deus em usar instrumentos humanos imperfeitos para cumprir Seus propósitos, buscando o batismo no Espírito Santo para receber poder e ousadia (Atos 1:8).
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar a objeção de Moisés como uma justificativa para a desobediência ou para duvidar da capacidade de Deus de cumprir Suas promessas. Não se trata de uma aprovação da incredulidade, mas de um registro da paciência divina e da superação da limitação humana pela intervenção de Deus.