"Moisés porém falou perante o Senhor dizendo Eis que os filhos de Israel me não têm ouvido como pois me ouvirá Faraó Também eu sou incircunciso dos lábios"
Textus Receptus
"E falou Moisés diante do SENHOR, dizendo: Eis que os filhos de Israel não me ouviram. Como, então, Faraó me ouvirá, que sou de lábios incircuncisos?"
Moisés expressa suas dúvidas ao Senhor, citando a incredulidade dos israelitas e sua própria inabilidade de fala como razões para não ser ouvido por Faraó.
Explicação Histórica
A frase 'os filhos de Israel me não têm ouvido' refere-se à rejeição inicial da mensagem de Moisés pelos israelitas, mencionada em Êxodo 6:9, devido à sua 'angústia de espírito e dura servidão'. A interrogação retórica 'como pois me ouvirá Faraó?' denota o desânimo de Moisés, comparando a incredulidade de seu próprio povo com a provável resistência do governante egípcio. A expressão 'incircunciso dos lábios' (hebraico: 'arel sefatayim') é uma metáfora que significa ter dificuldade ou inabilidade de fala, ser inepto ou pesado na linguagem. Não é uma condição física de mudez, mas uma inadequação percebida para falar com autoridade e eloquência, ecoando a queixa anterior de Moisés em Êxodo 4:10.
Interpretação Doutrinária
Este versículo ilustra a fraqueza humana diante da magnitude da obra divina, mesmo após revelações claras da parte de Deus. A 'incircuncisão dos lábios' de Moisés simboliza a dependência do homem da capacitação espiritual de Deus para cumprir Sua vontade, pois as habilidades naturais são insuficientes. A resposta de Moisés reflete a necessidade da fé sobrenatural para crer e obedecer ao chamado divino, mesmo quando as circunstâncias ou limitações pessoais parecem intransponíveis, solidificando a doutrina de que Deus usa os fracos e capacita os Seus escolhidos.
Aplicação Prática
O cristão deve aprender a confiar na suficiência de Deus e na Sua capacitação, e não em suas próprias habilidades ou méritos naturais, ao ser chamado para o serviço. Mesmo diante de obstáculos ou da incredulidade alheia, a obediência à Palavra de Deus e a fé em Seu poder devem prevalecer, pois Ele é quem qualifica e fortalece Seus servos para toda boa obra.
Precauções de Leitura
É crucial evitar interpretar a objeção de Moisés como uma justificativa para a desobediência ou para duvidar da soberania de Deus. A autodepreciação não deve impedir a ação quando Deus claramente chama, mas deve, sim, direcionar o foco para a dependência e o poder divinos. Não se deve tomar a 'incircuncisão dos lábios' como uma desculpa para a inatividade, mas como um lembrete de que Deus pode usar e capacitar quem Ele escolhe, superando qualquer limitação humana.