Este versículo estabelece um princípio de remissão de dívidas e liberação de obrigações financeiras entre irmãos em Israel, isentando o estranho dessa liberalidade.
Explicação Histórica
O termo 'estranho' (em hebraico, 'nokri' ou 'ger') refere-se a um estrangeiro residente ou a alguém que não pertencia à comunidade tribal de Israel. 'Exigirás' (em hebraico, 'ta'aror') significa acusar, clamar, demandar judicialmente ou exigir pagamento. 'Teu irmão' (em hebraico, 'achicha') refere-se a um compatriota israelita. 'Quitará' (em hebraico, 'tashmit') deriva da raiz 'shamat', que significa perdoar, remir, abolir, referindo-se à anulação da dívida no ano sabático.
Interpretação Doutrinária
Este texto ilustra a justiça e a misericórdia que devem permear a comunidade do povo de Deus, refletindo a natureza de Deus que é justo e também benigno para com os Seus. Embora a lei civil aqui se aplique à nação de Israel, o princípio subjacente de cuidar dos necessitados dentro da comunidade, e a distinção feita em relação aos de fora, fala de um cuidado ordenado por Deus. A aplicação estrita a Israel não impede que o cristão reflita sobre a generosidade e a responsabilidade comunitária, embora a base da salvação e a inclusão de todas as nações em Cristo transcendam as distinções étnicas da Antiga Aliança.
Aplicação Prática
Devemos ser generosos e justos em nossos relacionamentos, especialmente com os irmãos na fé, aliviando suas cargas quando possível, como ensina o princípio do ano sabático. Contudo, a inclusão de gentios na Nova Aliança por meio de Cristo nos chama a estender a graça a todos, sem exclusão, ao mesmo tempo em que mantemos os princípios de responsabilidade e honestidade em nossas transações financeiras e relacionamentos.
Precauções de Leitura
Não se deve interpretar este versículo como justificativa para excluir ou discriminar estrangeiros ou não-crentes em todas as esferas da vida, especialmente à luz do Novo Testamento que abriu as portas a todas as nações. A distinção era contextual à lei civil dada a Israel.