Este versículo declara que os crentes, antes separados de Deus e hostis a Ele por suas ações pecaminosas, foram agora reconciliados através da obra de Cristo.
Explicação Histórica
A expressão 'noutro tempo éreis estranhos' (em grego, 'apellotriomenous') descreve um estado de alienação e separação de Deus, comum aos gentios sem a aliança (Efésios 2:12). Ser 'inimigos no entendimento' ('echthrous te dianoia') indica que a inimizade não era apenas superficial, mas enraizada na mente e na disposição interior contra Deus. As 'obras más' ('tois ergois tois ponerois') são a evidência e a manifestação externa dessa inimizade e separação. O termo 'reconciliou' ('apokatellaxen') no tempo aoristo, significa uma ação completa e definitiva realizada por Deus através de Cristo, transformando a inimizade em paz e a alienação em relacionamento restaurado.
Interpretação Doutrinária
Este texto consolida a doutrina da necessidade de salvação, pois toda a humanidade, por natureza, é separada de Deus ('estranhos') e hostil a Ele ('inimigos') devido ao pecado, evidenciado pelas 'obras más'. A reconciliação, portanto, é um ato divino exclusivo, alcançado somente por meio de Jesus Cristo, conforme a teologia pentecostal clássica enfatiza a exclusividade da obra redentora de Cristo. Demonstra que a salvação é uma transformação radical do estado espiritual do indivíduo, de adversário para parte da família de Deus, essencial para o novo nascimento e a vida em santidade.
Aplicação Prática
O cristão deve reconhecer sua condição passada de separação e inimizade com Deus e, com gratidão, abraçar a realidade presente da reconciliação total através de Cristo. Essa nova posição em Cristo exige um viver que reflita essa transformação, buscando a santificação pessoal e demonstrando amor e obediência a Deus, como fruto da fé e da reconciliação obtida.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar a reconciliação como uma justificação para a continuidade em 'obras más'; pelo contrário, ela exige uma vida de santidade. Não se deve minimizar a seriedade do estado anterior de 'inimigos' de Deus, nem a totalidade da obra de Cristo na reconciliação, que não é um esforço humano, mas um dom divino. A reconciliação não é meramente um assentimento intelectual, mas uma mudança radical de vida.