Este versículo instrui a levar a questão de um irmão impenitente à congregação e, caso ele persista em não ouvir, a considerá-lo fora da comunhão da igreja.
Explicação Histórica
A expressão 'não as escutar' refere-se à recusa em aceitar a admoestação dada pelos dois ou três testemunhas, conforme o versículo anterior. 'Dize-o à igreja' (ekklesia no grego) indica que a questão deve ser levada à assembleia de crentes ou aos seus líderes espirituais. 'Se também não escutar a igreja' significa a persistência na desobediência e impenitência, mesmo após o conselho e a admoestação coletiva. 'Considera-o como um gentio e publicano' não é uma instrução para odiar ou desprezar, mas para tratá-lo como alguém que se colocou fora da comunhão do pacto, desconsiderando suas responsabilidades para com a comunidade da fé, da mesma forma que os judeus da época tratavam gentios e publicanos como estranhos à sua comunhão religiosa.
Interpretação Doutrinária
Este ensinamento sublinha a autoridade espiritual da igreja, como corpo de Cristo, para manter a ordem, a santidade e a pureza de sua doutrina e conduta. A disciplina eclesiástica, aplicada com amor e nos passos divinamente estabelecidos, visa primeiramente à restauração do pecador e à proteção do rebanho, conforme os Pontos de Doutrina da Congregação Cristã no Brasil que enfatizam a necessidade de arrependimento e a santificação contínua do crente.
Aplicação Prática
O crente deve estar atento aos princípios de reconciliação e disciplina, buscando resolver conflitos biblicamente e, quando necessário, submeter-se humildemente à voz da igreja. A igreja, por sua vez, deve exercer a disciplina com amor, oração e sabedoria, tendo em vista a restauração do irmão e a manutenção da santidade do corpo de Cristo.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo dos passos anteriores (Mateus 18:15-16) nem interpretá-lo como uma licença para julgamento arbitrário ou exclusão impensada. O objetivo final da disciplina é sempre a restauração e o arrependimento do indivíduo, não meramente a punição. A exclusão é o último recurso, aplicado após a falha em ouvir todos os apelos de reconciliação e arrependimento, e serve para salvaguardar a santidade da congregação.