"E se fizerdes bem aos que vos fazem bem que recompensa tereis Também os pecadores fazem o mesmo"
Textus Receptus
"E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, qual é o vosso reconhecimento? Pois os pecadores também fazem o mesmo."
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Texto Central
Jesus adverte que fazer o bem apenas a quem retribui não resulta em recompensa divina, pois até os não crentes agem dessa forma.
Explicação Histórica
A expressão 'fizerdes bem aos que vos fazem bem' descreve uma prática comum de reciprocidade, onde a bondade é condicionada à retribuição. A pergunta retórica 'que recompensa tereis?' implica que não há mérito ou galardão celestial para uma conduta que se alinha meramente aos padrões humanos. 'Também os pecadores fazem o mesmo' compara o comportamento dos discípulos com o dos 'pecadores' (hamartoloi), ou seja, aqueles que vivem fora do padrão divino, enfatizando que a simples reciprocidade é um comportamento humano natural, não um diferencial da vida em Cristo.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina de que a moralidade do cristão deve transcender os padrões mundanos. A 'recompensa' mencionada é de natureza divina e espiritual, não se referindo a benefícios terrenos por atos de mera reciprocidade humana. Para o pentecostalismo, isso sublinha a necessidade de uma vida de santificação, onde o Espírito Santo capacita o crente a manifestar um amor (ágape) que não busca retorno, refletindo o caráter de Deus, que é bom para justos e injustos (Lucas 6:35-36). É um chamado à transformação de caráter operada pelo Espírito.
Aplicação Prática
O cristão é desafiado a praticar o bem e a manifestar amor e generosidade de forma incondicional, sem esperar retribuição ou reconhecimento. Devemos amar e fazer o bem mesmo àqueles que não nos correspondem ou que nos tratam com indiferença, imitando a benignidade de Deus e buscando viver em um padrão de santidade que testifique a transformação operada por Cristo.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como um repúdio à amizade ou a qualquer forma de reciprocidade saudável entre indivíduos. A advertência é contra *limitar* o bem apenas àqueles que retribuem, negligenciando o chamado para um amor mais abrangente e sacrificial. A 'recompensa' não é uma garantia de prosperidade material imediata, mas um galardão espiritual e eterno.