Os discípulos rejeitaram o testemunho das mulheres sobre a ressurreição de Jesus, considerando-o como algo sem sentido e inacreditável.
Explicação Histórica
A expressão 'suas palavras' refere-se ao relato das mulheres (Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e outras) sobre o túmulo vazio e a mensagem angélica da ressurreição. A frase 'lhes pareciam como desvario' traduz o termo grego 'leros' (λῆρος), que denota 'conversa fiada', 'tolice', 'delírio' ou 'absurdo', indicando que os discípulos consideraram a notícia como completamente irracional e sem fundamento. 'E não as creram' sublinha a incredulidade total e a falta de fé dos apóstolos em relação ao testemunho, revelando sua dificuldade em aceitar um evento tão sobrenatural sem uma confirmação direta e irrefutável.
Interpretação Doutrinária
Este episódio ilustra a resistência natural do ser humano em crer no sobrenatural sem evidência empírica imediata, mesmo entre aqueles que andaram com Cristo. A incredulidade inicial dos discípulos serve para realçar a verdade e a necessidade da ressurreição de Jesus como um fato histórico e a pedra angular da fé cristã (1 Coríntios 15:14), cuja aceitação definitiva requer a intervenção divina para abrir o entendimento. A perseverança do plano de Deus, apesar da incredulidade humana, demonstra a soberania divina e a fidelidade em cumprir Suas promessas.
Aplicação Prática
Somos desafiados a examinar nossa prontidão em crer nas verdades da Palavra de Deus, mesmo quando elas transcendem a lógica humana. A história nos encoraja a não desanimar ao proclamar o Evangelho e as promessas de Deus, mesmo quando há ceticismo, lembrando que a verdade divina prevalecerá e que o Senhor Se revelará aos corações abertos. A fé na ressurreição de Cristo é fundamental para a salvação e para uma vida de santificação.
Precauções de Leitura
É crucial não usar este versículo para desvalorizar testemunhos espirituais ou proféticos, mas sim para compreender a condição humana inicial de incredulidade. Ele não justifica o ceticismo permanente, mas documenta a dificuldade em assimilar a magnitude da ressurreição sem a iluminação do Espírito Santo. Não se deve, também, interpretar o texto como um menosprezo divino ao ministério feminino, visto que foram as mulheres as primeiras testemunhas da ressurreição.