"Não possuirias tu aquele que Camós teu deus desapossasse de diante de ti assim possuiremos nós todos quantos o Senhor nosso Deus desapossar de diante de nós"
Textus Receptus
"Não possuirás tu aquilo que o teu deus, Quemós, dá-te para possuirdes? Portanto, todos aqueles que, de diante de nós, o SENHOR nosso Deus expulsar, nós os possuiremos. "
Jefté argumenta que, se os moabitas possuíam terras que seus deuses lhes deram, Israel deveria possuir as terras que o Senhor lhes deu.
Explicação Histórica
A frase 'aquele que Quemos, teu deus, desapossasse de diante de ti' refere-se à crença dos amonitas de que Quemos, seu deus nacional, lhes daria o direito de possuir terras conquistadas. Jefté utiliza o mesmo raciocínio politeísta para afirmar que o Deus de Israel, o Senhor, expulsou os amorreus para dar a terra a Israel. 'Desapossar' (hebraico: 'yarash') significa tomar posse, herdar, desalojar.
Interpretação Doutrinária
Este versículo destaca a soberania do Senhor sobre todas as terras e nações, contrastando o verdadeiro Deus com os deuses falsos como Quemos. Reforça a doutrina de que a terra prometida a Israel foi uma dádiva de Deus, obtida pela Sua intervenção e poder, e não por direito de guerra ou mérito humano. A posse da terra é vista como um ato de Deus em favor de Seu povo escolhido, similar a como outras nações poderiam possuir o que seus deuses lhes davam, mas com a diferença crucial da unicidade e poder do Senhor.
Aplicação Prática
Assim como Deus concedeu a terra a Israel sob Sua soberania, Ele concede bênçãos e dons espirituais à Sua igreja. Devemos reconhecer a soberania de Deus em todas as nossas conquistas e posses, entendendo que tudo provém Dele. A fé em Deus como o único que verdadeiramente concede e sustenta deve nos levar a depender Dele e a usar Suas dádivas para a glória Dele.
Precauções de Leitura
Não se deve interpretar este versículo como uma validação do politeísmo ou uma equivalência entre o Deus de Israel e outros deuses. A argumentação de Jefté é retórica, usando a lógica do oponente para demonstrar a superioridade e o direito divino do Senhor sobre Israel. Deve-se evitar a ideia de que a posse de terras por nações pagãs tenha a mesma base teológica que a posse da terra prometida por Deus a Israel.