"Porém à moça não farás nada a moça não tem culpa de morte porque como o homem que se levanta contra o seu próximo e lhe tira a vida assim é este negócio"
Textus Receptus
"mas à donzela nada farás; não há na donzela nenhum pecado merecedor de morte; pois é como quando um homem se levanta contra o seu próximo e o mata. Assim é este caso,"
Este versículo estabelece que a mulher que foi forçada em um estupro não deve ser punida com a morte, pois ela é inocente da transgressão.
Explicação Histórica
O termo hebraico para 'moça' (na'arah) refere-se a uma jovem mulher. A frase 'não tem culpa de morte' (ein lah 'asham môt) indica que ela não é passível da pena capital, que era a punição para crimes graves em Israel. A comparação com 'o homem que se levanta contra o seu próximo, e lhe tira a vida' (kî-kîm 'îsh kî-yâqûm 'al-rê'êhû w'hîkkêh 'eth-napšô be-qetel) usa o assassinato intencional como paradigma de crime capital, do qual a jovem não é responsável.
Interpretação Doutrinária
Este texto demonstra a justiça e a misericórdia da lei mosaica, que distinguia a responsabilidade da vítima da do agressor. Ele reforça o princípio bíblico de que a punição deve ser proporcional à culpa, e que inocentes não devem sofrer por crimes alheios, um reflexo da retidão divina. A lei protege os vulneráveis, tal como o Senhor protege os Seus.
Aplicação Prática
É imperativo que a igreja e a sociedade tratem com compaixão e justiça aqueles que foram vítimas de crimes, especialmente de natureza sexual, reconhecendo sua inocência e oferecendo amparo, não acusação. Devemos defender os oprimidos e não permitir que sofram punição indevida.
Precauções de Leitura
Não se deve isolar este versículo para justificar a impunidade de crimes sexuais por parte do agressor, nem para sugerir que a vítima possa ter alguma culpa. A exegese deve considerar o contexto legal e teológico de Deuteronômio e o ensino geral da Bíblia sobre justiça e proteção aos vulneráveis.