O versículo descreve a ação de um homem que, após se casar com uma mulher e ter relações conjugais com ela, passa a nutri-la de aversão ou desgosto.
Explicação Histórica
O verbo hebraico 'shanah' (aborrecer, odiar) indica um sentimento de forte repulsa ou desgosto. A expressão 'entrando a ela' (bo' et-zah) refere-se à consumação do casamento, ou seja, à relação sexual conjugal. Portanto, o versículo trata de um homem que, após o casamento ter sido consumado, desenvolve um sentimento de aversão pela esposa.
Interpretação Doutrinária
Este texto, ao abordar as leis civis e morais de Israel, demonstra a seriedade do compromisso matrimonial e a necessidade de um justo motivo para o divórcio, mesmo em um contexto legal antigo. Embora a lei mosaica permitisse o divórcio em certas circunstâncias (Mateus 19:8), o Novo Testamento, sob a graça, eleva o padrão do casamento como uma união indissolúvel, exceto por infidelidade (Mateus 5:32). A santidade do casamento é um princípio bíblico fundamental.
Aplicação Prática
O cristão deve encarar o casamento como um compromisso sagrado diante de Deus e do homem. O desamor no casamento não deve ser o caminho, mas sim a busca contínua pelo amor, respeito e perdão mútuo, buscando a reconciliação e a edificação da união, à luz dos ensinamentos de Cristo sobre a unidade matrimonial.
Precauções de Leitura
Não se deve usar este versículo para justificar o divórcio leviano ou o abandono do cônjuge. A lei mosaica era um sistema tutelar para Israel e não deve ser aplicada diretamente como norma para a igreja sob a Nova Aliança, que tem em Cristo o seu Legislador e em Seus ensinamentos o seu guia. O contexto do Novo Testamento sobre o casamento é mais elevado.