"O Senhor não retarda a sua promessa ainda que alguns a têm por tardia mas é longânimo para convosco não querendo que alguns se percam senão que todos venham a arrepender-se"
Textus Receptus
"O Senhor não é tardio a respeito de sua promessa, ainda que alguns homens a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que nenhum se perca, senão que todos cheguem ao arrependimento."
O versículo afirma que a aparente demora de Deus em cumprir Sua promessa da vinda de Cristo se deve à Sua longanimidade, desejando que todos os homens se arrependam para não perecerem.
Explicação Histórica
A expressão "não retarda a sua promessa" (οὐ βραδύνει ὁ Κύριος τῆς ἐπαγγελίας) refuta a ideia de que Deus é lento ou se esqueceu de Sua palavra, especialmente a da Parousia. O termo "retarda" (βραδύνει - bradýnei) implica uma deliberação em vez de esquecimento. "Longânimo para convosco" (μακροθυμεῖ εἰς ὑμᾶς - makrothymeí eis hymás) denota a grande paciência e tolerância de Deus, que se estende por um longo período, suportando o mal e dando tempo para a mudança. A frase "não querendo que alguns se percam" (μὴ βουλόμενός τινας ἀπολέσθαι - mē boulómenós tinas apolémai) expressa a vontade divina de salvação, onde "percam" (ἀπολέσθαι - apolémai) se refere à perdição eterna. "Senão que todos venham a arrepender-se" (ἀλλὰ πάντας εἰς μετάνοιαν χωρῆσαι - allá pántas eis metánoian chōrēsai) indica que o desejo de Deus é que todos (humanidade em geral) alcancem a "metanoia", uma mudança radical de mente e direção de vida, voltando-se para Deus.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina pentecostal da certeza da Segunda Vinda de Cristo, refutando qualquer dúvida sobre a fidelidade de Deus à Sua promessa. A longanimidade de Deus manifesta Seu atributo de amor e justiça, oferecendo um tempo de graça para a humanidade. A afirmação de que Deus "não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" sublinha a doutrina da graça preveniente e o convite universal ao arrependimento como condição para a salvação, enfatizando a liberdade humana em responder a esse chamado divino. Não há predestinação à perdição, mas sim um desejo ativo de Deus para que todos se arrependam e sejam salvos por meio de Cristo Jesus.
Aplicação Prática
O cristão deve compreender que a paciência de Deus não é um convite à negligência, mas uma oportunidade para buscar fervorosamente a santificação pessoal e dedicar-se à evangelização. Deve-se viver com a expectativa da volta de Cristo, aproveitando o tempo presente para o arrependimento e a reconciliação com Deus, e para levar a mensagem de salvação àqueles que ainda não se arrependeram.
Precauções de Leitura
É crucial evitar a interpretação de que a "demora" de Deus implica que a promessa não se cumprirá, ou que Sua longanimidade permite o adiamento da obediência. Não se deve também interpretar "todos" como universalismo (que todos serão salvos independentemente do arrependimento), mas sim que o convite ao arrependimento é estendido a toda a humanidade, exigindo uma resposta individual.