Paulo aconselha os coríntios a completarem a coleta para os santos, lembrando-os que eles próprios foram os primeiros a manifestar tanto o desejo quanto a ação de contribuir no ano anterior.
Explicação Histórica
A expressão "dou o meu parecer" (γνώμην δίδωμι - *gnomen didomi*) indica que Paulo não está emitindo um mandamento, mas sim oferecendo um conselho sábio e ponderado. A frase "isto vos convém" (συμφέρει - *sympherei*) denota que a ação é vantajosa e benéfica para eles mesmos. "Desde o ano passado começastes" (προενήρξασθε - *proenērxasthe*) sublinha que os coríntios foram os pioneiros e deram o passo inicial na coleta. A construção "não foi só praticar, mas também querer" (οὐ μόνον τὸ ποιῆσαι ἀλλὰ καὶ τὸ θέλειν) destaca que eles manifestaram tanto o desejo sincero quanto a intenção de agir, mostrando uma disposição de coração que precedeu a concretização plena da oferta.
Interpretação Doutrinária
Este versículo consolida a doutrina pentecostal clássica da liberalidade cristã, que brota de um coração voluntário e grato à graça de Deus. A iniciativa dos coríntios em querer e praticar a oferta serve de exemplo da fé que se manifesta em obras de amor e serviço (2 Coríntios 8:7-8). A ênfase na vontade e na prática demonstra que a contribuição para a obra de Deus e para o sustento dos santos não deve ser por constrangimento, mas sim uma resposta genuína do crente que busca a santificação e o cumprimento dos compromissos assumidos na fé, refletindo o agir de Cristo (2 Coríntios 8:9).
Aplicação Prática
O cristão é exortado a cumprir com diligência seus propósitos e compromissos para com a obra de Deus e a caridade, especialmente aqueles iniciados com um coração voluntário. A doação e o serviço devem ser expressões de um desejo genuíno de servir ao Senhor e aos irmãos, não apenas uma prática externa. Que a prontidão para o bem não seja adiada, mas sim concretizada com alegria e boa vontade, demonstrando a sinceridade da fé.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo para impor exigências financeiras, desconsiderando o contexto da voluntariedade, do amor e do exemplo sacrificial de Cristo (2 Coríntios 8:9). A 'parecer' de Paulo não é uma ordem legalista, mas um conselho pastoral para que os crentes completem o que já haviam se proposto a fazer, motivados pela graça e não por coerção.