Paulo declara que tem um motivo legítimo para gloriar-se, não em si mesmo, mas em Jesus Cristo, concernente à obra divina que lhe foi confiada.
Explicação Histórica
A expressão "tenho glória" (kaukhēsis ekho) não denota vanglória, mas um fundamento legítimo para o regozijo ou uma confiança abnegada. Esta glória é "em Jesus Cristo", indicando que a fonte e o objeto de sua confiança e orgulho santo é o próprio Senhor, não suas próprias habilidades. As "coisas que pertencem a Deus" (ta pros ton Theon) referem-se à esfera da obra divina, neste caso, o ministério apostólico de Paulo de levar o Evangelho aos gentios, concebido e capacitado por Deus.
Interpretação Doutrinária
Conforme a doutrina pentecostal clássica, este versículo afirma que todo o mérito e glória no serviço cristão pertencem exclusivamente a Jesus Cristo. Ilustra a convicção de que o verdadeiro poder e eficácia no ministério provêm da capacitação divina pelo Espírito Santo, e não da capacidade humana. O crente é um instrumento nas mãos de Deus para realizar as "coisas que pertencem a Deus", ou seja, a expansão do Reino e a salvação das almas, sendo este o único motivo para um regozijo espiritual genuíno e humilde.
Aplicação Prática
O cristão é chamado a buscar a glória somente em Jesus Cristo e na obra que Deus realiza através dele. Isso inspira o servo a dedicar-se ao serviço divino com humildade, reconhecendo que qualquer sucesso espiritual ou dom é uma manifestação da graça e poder de Deus, e não motivo para autoexaltação.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar qualquer interpretação que conduza ao orgulho pessoal ou à vanglória pelas próprias realizações. Gloriar-se "nas coisas que pertencem a Deus" não é um pretexto para o egoísmo, mas um reconhecimento de que toda obra frutífera é resultado da operação de Cristo no crente, e que toda a honra deve ser a Ele.