Este versículo introduz o princípio da Antiga Aliança, onde Moisés descreve que a vida era alcançada pela obediência perfeita à Lei.
Explicação Histórica
A expressão "Moisés descreve a justiça que é pela lei" refere-se à citação de Levítico 18:5, um mandamento central da Torá. "O homem que fizer estas coisas viverá por elas" significa que a obtenção da vida plena e abençoada sob a Antiga Aliança estava condicionada à perfeita e contínua obediência a todos os preceitos da Lei. O verbo "fizer" (grego poiesas) denota uma ação completa e contínua, enquanto "viverá" (grego zēsetai) aponta para a posse da vida no sentido de bênção e comunhão com Deus.
Interpretação Doutrinária
Este texto estabelece o fundamento da Lei como um sistema de justiça baseado em obras, pelo qual ninguém pôde ser justificado (Romanos 3:20). A doutrina pentecostal clássica afirma que a Lei revelou o pecado e a incapacidade humana de alcançar a salvação por si mesma, apontando para a necessidade de um Salvador. A justiça pela fé em Jesus Cristo, portanto, não anula a Lei, mas cumpre seu propósito e oferece a verdadeira vida que a obediência legal não pôde proporcionar.
Aplicação Prática
O cristão deve compreender que a salvação e a vida eterna são dons da graça de Deus, recebidos pela fé em Jesus Cristo, e não por qualquer mérito ou esforço humano em cumprir a Lei. A vida de retidão e santificação deve ser um fruto da nova vida em Cristo e do poder do Espírito Santo, e não uma condição para a salvação, mas sim uma evidência dela (Gálatas 3:11).
Precauções de Leitura
É um erro interpretar este versículo como um caminho viável de salvação hoje. Ele descreve a condição legal da Antiga Aliança, que era inatingível para a humanidade pecadora. Não deve ser isolado do contexto de Romanos 10, que culmina na justiça pela fé em Cristo, nem deve ser usado para promover a salvação por obras, mas sim para realçar a necessidade da graça.
Referências Citadas
Levítico 18:5, Romanos 3:20, Romanos 10:4, Romanos 10:6-10, Gálatas 3:11