"Agora pois ó Deus nosso ó Deus grande poderoso e terrível que guardas o concerto e a beneficência não tenhas em pouca conta toda a aflição que nos alcançou a nós aos nossos reis aos nossos príncipes e aos nossos sacerdotes e aos nossos profetas e aos nossos pais e a todo o teu povo desde os dias dos reis da Assíria até ao dia de hoje"
Textus Receptus
"Agora, portanto, Deus nosso, o grande, o poderoso, e o terrível Deus, que guardas o pacto e a misericórdia, não permitas que toda a tribulação pareça pouca diante de ti, que veio sobre nós, sobre os nossos reis, sobre os nossos príncipes, e sobre os nossos sacerdotes, e sobre os nossos profetas, e sobre os nossos pais, e sobre todo o teu povo, desde o tempo dos reis da Assíria até este dia. "
Os israelitas, em Neemias 9:32, reconhecem a grandeza e fidelidade de Deus, implorando que Ele não ignore o sofrimento prolongado de Seu povo.
Explicação Histórica
O texto hebraico usa atributos poderosos para descrever Deus: 'grande' (gadol), 'poderoso' ('eẓab), e 'temível' (yare'), enfatizando Sua soberania e autoridade. 'Guardas o concerto' (shomer habbrit) destaca Sua fidelidade às promessas feitas à Sua aliança. 'Beneficência' (hesed) refere-se ao Seu amor leal e bondade inabalável. A súplica 'não tenhas em pouca conta' (al tim'at) é um apelo para que Deus não desvalorize ou negligencie a 'aflição' (tsarah), que descreve um estado de angústia e opressão sofrida pelo povo ao longo de gerações.
Interpretação Doutrinária
Este versículo reforça a doutrina da aliança de Deus e Sua fidelidade para com o Seu povo, mesmo em meio a circunstâncias adversas causadas pela desobediência humana. Ele demonstra que a relação de Deus com a humanidade é fundamentada em promessas divinas (aliança) e no caráter inabalável de Seu amor (hesed), elementos centrais na teologia da salvação por graça mediante a fé em Cristo Jesus, o cumprimento da Nova Aliança. A confissão de sofrimento sublinha a realidade do pecado e suas consequências, mas o apelo a Deus aponta para a esperança na Sua intervenção redentora.
Aplicação Prática
Devemos reconhecer a soberania e o poder de Deus em nossas vidas, confiando em Sua fidelidade às promessas contidas em Sua Palavra e em Sua aliança através de Cristo. Diante das aflições e dificuldades, podemos clamar a Deus, lembrando-Lhe de Sua aliança e de Seu amor, sem nunca desanimar ou pensar que nosso sofrimento é insignificante para Ele. A perseverança na fé, mesmo em tempos de provação, é um testemunho da nossa confiança no Deus que guarda o concerto.
Precauções de Leitura
Evitar interpretar a 'aliança' e a 'beneficência' de Deus como garantias de isenção de sofrimento terreno, desconsiderando a necessidade de arrependimento e santificação pessoal. Não usar este texto para justificar passividade diante do pecado ou para afirmar que Deus é obrigado a agir apenas com base na aliança, sem considerar a obediência do crente.