"Quando pois vos conduzirem para vos entregarem não estejais solícitos d’antemão pelo que haveis de dizer mas o que vos for dado naquela hora isso falai porque não sois vós os que falais mas o Espírito Santo"
Textus Receptus
"Mas quando eles vos conduzirem e vos entregarem, não penseis de antemão sobre o que haveis de falar, nem premediteis; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo."
Jesus instrui os discípulos a não se preocuparem com o que dizer durante a perseguição, pois o Espírito Santo falará através deles.
Explicação Histórica
A expressão 'não estejais solícitos d'antemão' (do grego 'mē promerimnaō') proíbe a preocupação ansiosa ou a premeditação de uma defesa. 'O que vos for dado naquela hora' ('ho an dothē hymin en ekeinē tē hōra') indica uma dádiva divina e espontânea de palavras no momento exato da necessidade. A razão fundamental é 'porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo' ('ou gar estē hymeis oi lalountes alla to Pneuma to Hagion'), que atribui a autoria e o poder da fala diretamente ao Espírito de Deus, assegurando uma manifestação sobrenatural.
Interpretação Doutrinária
Este texto reforça a doutrina pentecostal da atuação presente e capacitadora do Espírito Santo na vida do crente. Ele ilustra a confiança na providência divina e na capacitação sobrenatural para o testemunho, especialmente em tempos de perseguição, um aspecto central da fé pentecostal na atualidade dos dons espirituais. A promessa de que o Espírito Santo falará através do crente manifesta a doutrina do auxílio divino direto para a pregação e defesa da fé.
Aplicação Prática
O cristão deve viver em dependência do Espírito Santo, confiando que Ele proverá a sabedoria e as palavras necessárias ao testemunhar de Cristo, especialmente em situações desafiadoras. Isso encoraja a prontidão para dar testemunho e a entrega total a Deus, sem ansiedade quanto ao desempenho pessoal, pois é o Espírito quem opera.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como uma dispensa para a preguiça ou falta de preparação em outros contextos de ensino ou ministério. A promessa se refere especificamente à capacitação sobrenatural em momentos de perseguição e defesa da fé, não a uma abstenção geral do estudo ou da reflexão cristã. Não se deve usá-lo para justificar imprudência ou desconsideração pela verdade em qualquer situação de fala.