"Então respondeu o homem levita marido da mulher que fora morta e disse Cheguei com a minha concubina a Gibeá cidade de Benjamim para passar a noite"
Textus Receptus
"E o levita, o marido da mulher que foi morta, respondeu e disse: Eu cheguei a Gibeá, que pertence a Benjamim, eu e a minha concubina, para nos alojarmos. "
O levita relata que chegou com sua concubina à cidade de Gibeá, pertencente à tribo de Benjamim, para ali pernoitar.
Explicação Histórica
A expressão 'homem levita' identifica sua tribo, associada ao sacerdócio e serviço no Tabernáculo, conferindo-lhe um certo status. 'Marido da mulher que fora morta' é uma descrição funcional e relacional, enfatizando a vítima e o elo de parentesco/união. 'Concubina' (hebraico: 'pilegesh') denota uma esposa de status inferior, sem os plenos direitos de uma esposa principal, mas ainda assim parte do seu 'harém'. 'Gibeá' é uma cidade na tribo de Benjamim. A intenção era 'passar a noite', indicando um propósito temporário.
Interpretação Doutrinária
O texto destaca a condição de vulnerabilidade e a desordem moral prevalecente em Israel naquela época ('Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos' - Juízes 21:25). A figura do levita, que deveria ser um exemplo de retidão, está envolvido numa situação que culmina em tragédia, apontando para a necessidade de ordem divina e liderança espiritual. A poligamia ou a existência de concubinato, embora presente no AT, não reflete o ideal de Deus para o casamento, que é a união monogâmica, conforme ensinado no NT (Mateus 19:4-6).
Aplicação Prática
Devemos reconhecer a importância da santidade, da ordem e da justiça em nossas vidas e na sociedade. A busca por um relacionamento conjugal íntegro e fiel, segundo o padrão bíblico, é fundamental para a estabilidade familiar e social. A condenação do pecado e da injustiça, como a que ocorreu em Gibeá, nos chama a viver em retidão.
Precauções de Leitura
Não se deve inferir a aprovação divina do concubinato ou da poligamia do Antigo Testamento. O texto descreve uma realidade histórica e suas trágicas consequências, não um modelo a ser seguido. A ênfase do levita em sua relação com a concubina morta serve ao propósito narrativo de justificar sua revolta.