"As minhas costas dou aos que me ferem e as minhas faces aos que me arrancam os cabelos não escondo a minha face dos que me afrontam e me cospem"
Textus Receptus
"Eu dei minhas costas para os golpeadores, e minhas bochechas para aqueles que arrancaram o cabelo. Eu não escondi minha face da vergonha e das cusparadas."
O profeta declara sua total submissão e aceitação do sofrimento infligido, mesmo diante de humilhações e agressões extremas.
Explicação Histórica
As 'costas' (em hebraico: גֵּו, 'geviy') se referem à parte posterior do corpo, indicando que o Servo permite que elas sejam feridas, possivelmente em alusão a açoites. 'Arrancar os cabelos' (em hebraico: פָּרַצְתִּי, 'paratzti' - literalmente 'quebrar', 'romper', mas usado metaforicamente para arrancar cabelos ou barba em lamento ou humilhação) e 'cuspir' (em hebraico: יָרַק, 'yaraq') são atos de extrema vergonha e violência, mostrando a passividade do Servo em sofrer tais ultrajes sem revidar.
Interpretação Doutrinária
Este texto é uma profecia messiânica que encontra seu cumprimento perfeito em Jesus Cristo. Sua disposição em sofrer o escárnio, a violência e a humilhação sem retribuir demonstra Seu amor redentor e Sua obediência ao Pai, validando a doutrina da expiação vicária e da suficiência do sacrifício de Cristo para a salvação dos pecadores.
Aplicação Prática
O cristão é chamado a refletir a paciência e a resignação de Cristo diante das perseguições e injustiças, confiando que Deus, que justificou o Servo, também justificará e proverá para aqueles que seguem Seus passos.
Precauções de Leitura
Não interpretar este versículo de forma a justificar passividade diante do pecado ou da injustiça social de forma geral, mas sim a aceitação do sofrimento inerente à vida de fé e ao testemunho de Cristo.