"A quem também Abraão deu o dízimo de tudo e primeiramente é por interpretação rei de justiça e depois também rei de Salém que é rei de paz"
Textus Receptus
"a quem também Abraão deu a décima parte de tudo; sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, Rei de justiça, e depois disso também Rei de Salém, que é Rei de paz."
O versículo descreve que Abraão deu o dízimo de tudo a Melquisedeque, cujo nome é interpretado como 'rei de justiça' e 'rei de Salém' como 'rei de paz'.
Explicação Histórica
'A quem também Abraão deu o dízimo de tudo' refere-se ao evento registrado em Gênesis 14:20, onde Abraão, após a vitória, entrega um décimo dos despojos a Melquisedeque. A frase 'e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça' explica que o nome hebraico 'Melquisedeque' (מַלְכִּי־צֶדֶק) significa 'meu rei é justiça'. A continuação 'e depois também rei de Salém, que é rei de paz' interpreta 'Salém' (שָׁלֵם) como 'paz', conectando seu reino à característica de ser um 'rei de paz'.
Interpretação Doutrinária
A interpretação dos nomes de Melquisedeque como 'rei de justiça' e 'rei de paz' aponta para as qualidades de Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote perfeito, conforme a doutrina pentecostal. Ele é a própria justiça de Deus e o Príncipe da Paz (Isaías 9:6), estabelecendo uma nova aliança fundamentada na justiça divina e oferecendo a verdadeira paz aos que creem. A entrega do dízimo por Abraão a Melquisedeque prefigura a superioridade do sacerdócio de Cristo, ao qual toda a humanidade deve reverência e reconhecimento.
Aplicação Prática
O cristão deve reconhecer em Jesus Cristo o seu Rei de Justiça e Paz, buscando n'Ele a retidão moral e espiritual e a verdadeira tranquilidade interior. A submissão e o reconhecimento da autoridade de Cristo, simbolizados pela entrega do dízimo de Abraão, devem guiar a vida do crente na obediência à Sua Palavra e na confiança em Seu sacerdócio eterno.
Precauções de Leitura
É crucial não isolar este versículo para estabelecer regras de dízimo contemporâneas sem considerar o contexto principal de Hebreus, que é a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o levítico. O foco aqui não é a quantia ou a obrigatoriedade legal do dízimo, mas sim a autoridade e a preeminência de Melquisedeque, que prefigura a autoridade suprema de Jesus.