"E um cordeiro do rebanho de cada duzentos da mais regada terra de Israel para oferta de manjares e para holocausto e para sacrifício pacífico para que façam expiação por eles diz o Senhor Jeová"
Textus Receptus
"e um cordeiro do rebanho, de duzentos, das gordas pastagens de Israel; para oferta de alimento, para a oferta queimada, e para as ofertas de paz, para fazerdes a reconciliação por eles, diz o Senhor DEUS."
Um cordeiro de cada duzentos, provindo da terra fértil de Israel, é designado para diversas ofertas sacrificial, visando a expiação pelos israelitas.
Explicação Histórica
O termo hebraico para 'cordeiro' é 'seh', referindo-se a um cordeiro jovem ou cabrito. 'De cada duzentos' (me'ath mi-me'ah) indica uma proporção, sugerindo um número significativo de animais para o serviço. 'Da mais regada terra de Israel' (min ha-aretz ha-shamenah) aponta para a qualidade e a proveniência da oferta, ligada à prosperidade e à terra prometida. 'Oferta de manjares' (minchah) era uma oferta de alimentos, geralmente sem sangue. 'Holocausto' (olah) era um sacrifício queimado por completo. 'Sacrifício pacífico' (shelamim) envolvia comunhão com Deus. 'Expiação' (kippur) é a cobertura ou redenção do pecado. 'Senhor Jeová' (Adonai Yehovah) é um título enfático do nome de Deus.
Interpretação Doutrinária
Este versículo, dentro da visão de Ezequiel, reforça a doutrina bíblica da necessidade de sacrifícios para a expiação do pecado. Embora a lei mosaica estivesse em pleno vigor quando Ezequiel profetizou, esta visão aponta para uma continuidade da prática sacrificial em um futuro restaurado, com ênfase na origem da oferta, ligada à fidelidade de Deus à sua terra e ao seu povo. Do ponto de vista pentecostal clássico, este texto prefigura a necessidade da expiação que seria plenamente realizada na obra redentora de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, que se ofereceu uma vez por todas para a expiação de nossos pecados (Hebreus 9:12-14). A diversidade das ofertas reflete a riqueza da obra redentora.
Aplicação Prática
Ainda que as ofertas de animais não sejam mais praticadas sob a Nova Aliança, o princípio da expiação e da adoração sacrificial permanece. Devemos reconhecer que nossos pecados foram expiados pelo sacrifício de Jesus Cristo e que, por meio Dele, oferecemos a Deus sacrifícios de louvor, intercessão e nossas próprias vidas como sacrifício vivo (Romanos 12:1). A qualidade da oferta (da 'mais regada terra') nos exorta a oferecer ao Senhor o melhor de nossos talentos e recursos, com um coração grato e devoto.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo literalmente como uma instrução para a retomada de sacrifícios de animais no presente. O contexto profético aponta para um futuro teocrático idealizado, mas a realidade espiritual da Nova Aliança, selada com o sangue de Cristo, substituiu a necessidade de tais rituais (Hebreus 10:1-18). Isolar este versículo para justificar práticas não bíblicas seria um erro hermenêutico grave.
Referências Citadas
Ezequiel 45:15, Hebreus 9:12-14, Romanos 12:1, Hebreus 10:1-18