"E comerão as coisas com que for feita expiação para consagrá-los e para santificá-los mas um estranho as não comerá porque santas são"
Textus Receptus
"E eles comerão estas coisas com as quais foi feita a expiação, para consagrá-los e santificá-los. Mas um estrangeiro não comerá disso, porque são santas."
Os sacerdotes deveriam comer partes das ofertas de expiação como parte de seu ritual de consagração e santificação, enquanto pessoas não autorizadas estavam proibidas de fazê-lo devido à santidade das ofertas.
Explicação Histórica
A expressão 'coisas com que for feita expiação' refere-se às partes das ofertas sacrificadas, especialmente o carneiro da consagração (Êxodo 29:19-28), designadas para consumo pelos sacerdotes. O verbo hebraico *kaphar*, traduzido como 'expiação', significa cobrir ou purgar, tornando aceitável. O ato de comer era parte integrante do processo de purificação e investidura. 'Para consagrá-los, e para santificá-los' utiliza os termos hebraicos *millu'im* ('cheias as mãos', indicando a investidura sacerdotal) e *qadash* ('separar, tornar santo'), respectivamente, denotando a finalidade ritualística da refeição como um ato que confirmava a separação dos sacerdotes para o serviço divino. 'Um estranho' significa qualquer pessoa que não fosse parte da linhagem sacerdotal estabelecida, enfatizando a exclusividade e a natureza sagrada do ministério. 'Santas são' reforça a ideia de que o alimento era dedicado a Deus e, portanto, restrito.
Interpretação Doutrinária
Este texto estabelece o princípio da separação e santificação para o serviço divino, uma prefiguração da santidade exigida dos crentes hoje. Embora os ritos sacrificiais levíticos tenham sido cumpridos em Jesus Cristo (Hebreus 9:12, Hebreus 9:26, Hebreus 10:1-10), a doutrina fundamental é que aqueles que servem a Deus devem ser consagrados. A expiação realizada pelos sacrifícios aponta para a obra redentora de Cristo, que santifica os crentes (1 Pedro 2:9), tornando-os 'sacerdócio real'. A restrição ao 'estranho' ressalta que apenas aqueles separados e purificados por Deus (pela fé em Cristo e pelo arrependimento) podem participar plenamente dos mistérios divinos e do serviço espiritual.
Aplicação Prática
O cristão deve viver em constante consagração e santificação ao Senhor, reconhecendo que foi separado pelo sacrifício de Jesus Cristo para servi-Lo. A busca pela pureza e a distinção entre o santo e o profano são essenciais na vida do crente, que é chamado a ser uma testemunha viva do Evangelho, participando com reverência e coração limpo dos ritos estabelecidos na Nova Aliança, como a Santa Ceia.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar este versículo como uma justificação para rituais alimentares salvíficos ou para a criação de uma casta sacerdotal exclusiva nos moldes do Antigo Testamento, pois a Nova Aliança estabelece o sacerdócio universal dos crentes. A salvação e santificação não advêm de comer literalmente ofertas, mas da fé na expiação definitiva de Jesus Cristo.