Moisés teve um filho com sua esposa Zípora, nomeando-o Gérson, para expressar seu sentimento de ser um estrangeiro em terra alheia.
Explicação Histórica
A expressão 'A qual teve um filho' refere-se a Zípora, esposa de Moisés. 'Ele chamou o seu nome Gérson' (Gershom em hebraico, גֵּרְשֹׁם) é uma forma que se assemelha foneticamente a 'ger sham' (גֵּר שָׁם), significando 'estrangeiro ali'. A frase 'Peregrino fui em terra estranha' (גֵּר הָיִיתִי בְּאֶרֶץ נָכְרִיָּה) é a justificativa de Moisés para o nome, onde 'peregrino' (גֵּר - ger) denota um residente estrangeiro ou forasteiro, e 'terra estranha' (אֶרֶץ נָכְרִיָּה - erets nokhriyah) enfatiza seu exílio de seu próprio povo e terra natal.
Interpretação Doutrinária
Este episódio ilustra a providência divina na vida de Moisés, mesmo em seu período de exílio e aparente abandono. A identificação de Moisés como 'peregrino' ressoa com a doutrina de que o crente é um forasteiro e peregrino neste mundo, buscando uma pátria celestial. A fidelidade de Deus se manifesta na preservação de Seus servos em todas as circunstâncias, preparando-os para o propósito maior, como fez com Moisés antes de seu chamado para libertar Israel (Hebreus 11:13-16).
Aplicação Prática
A vida do cristão hoje é uma peregrinação espiritual, onde somos chamados a não nos conformar com os padrões deste mundo. Devemos viver com a consciência de que nossa verdadeira cidadania é celestial, buscando a santificação e a separação para Deus, confiando que Ele nos guia e sustenta em nossa jornada até a volta de Cristo.
Precauções de Leitura
Deve-se evitar interpretar este versículo isoladamente como uma promoção do desespero ou uma justificação para a errância sem propósito. A peregrinação de Moisés foi dirigida pela providência de Deus, e seu sentimento de ser estrangeiro não o impediu de ser preparado para o Seu propósito. Não se trata de uma afirmação genérica sobre toda migração, mas da experiência específica de um servo de Deus em um contexto de exílio divinamente orquestrado.