"Então foram chamados os escrivães do rei naquele mesmo tempo e no mês terceiro (que é o mês de sivã) aos vinte e três do mesmo e se escreveu conforme a tudo quanto ordenou Mardoqueu aos judeus como também aos sátrapas e aos governadores e aos maiorais das províncias que se estendem da Índia até à Etiópia cento e vinte e sete províncias a cada província segundo a sua escritura e a cada povo conforme a sua língua como também aos judeus segundo a sua escritura e conforme a sua língua"
Textus Receptus
"Então, foram chamados os escribas do rei naquela hora, no terceiro mês, que é o mês de sivã, no seu vigésimo terceiro dia; e foi escrito de acordo com tudo o que Mardoqueu ordenou aos judeus, e aos tenentes, e aos vice-reis e governantes das províncias que são desde a Índia até a Etiópia, cento e vinte e sete províncias, para cada província de acordo com a sua escrita, e para cada povo segundo a sua língua, e para os judeus de acordo com a sua escrita, e de acordo com a sua língua. "
Este versículo detalha a rápida convocação dos escrivães do rei para redigir e expedir os decretos de Mardoqueu, que concediam aos judeus o direito de autodefesa em todas as 127 províncias do império Persa, escritas em suas respectivas línguas.
Explicação Histórica
'Escrivães do rei' eram os oficiais responsáveis pela documentação oficial. A data 'mês terceiro (sivã), aos vinte e três do mesmo' (maio/junho) demonstra a celeridade da ação, pois o primeiro decreto foi emitido em Nisã (Ester 3:12), havendo cerca de nove meses até o dia do ataque. 'Sátrapas, governadores e maiorais' referem-se à estrutura administrativa do império, garantindo que a mensagem chegasse a todas as esferas. A menção de 'cento e vinte e sete províncias da Índia até à Etiópia' ressalta a vastidão do território (Ester 1:1). A frase 'a cada província segundo a sua escritura, e a cada povo conforme a sua língua' enfatiza a meticulosa preocupação em garantir que o decreto fosse compreendido por todos, inclusive pelos próprios judeus em sua língua e escrita, assegurando sua efetividade legal e cultural.
Interpretação Doutrinária
Este versículo ilustra a soberania e providência de Deus, que opera através de instrumentos humanos, como Mardoqueu e Ester, para reverter uma sentença de morte sobre Seu povo. A celeridade e a abrangência do novo decreto evidenciam a mão divina agindo para defender e livrar os Seus, mesmo sem a menção explícita de Deus no texto. Para a fé pentecostal, isso reforça que Deus intervém na história para cumprir Seus propósitos e que a oração (como feita pelos judeus e Ester) move a ação divina, culminando na proteção e vitória de Seus servos, prefigurando a salvação completa oferecida em Cristo.
Aplicação Prática
O cristão é encorajado a confiar na providência de Deus em todas as circunstâncias, por mais adversas que pareçam. Este texto nos ensina a agir com fé e sabedoria, buscando a Deus em oração, pois Ele tem o poder de mudar decretos e situações. A diligência em comunicar a 'escritura' divina (a Palavra de Deus) de forma clara e acessível, assim como Mardoqueu fez, é essencial para que todos compreendam o plano de salvação e o direito à vida em Cristo.
Precauções de Leitura
É importante não interpretar este versículo como uma licença para a vingança indiscriminada. O decreto concedeu o direito legal de autodefesa aos judeus contra aqueles que tentassem atacá-los no dia preestabelecido para sua destruição (Ester 8:11), não uma permissão para iniciar conflitos. O foco é o livramento e a preservação do povo de Deus, não a promoção da violência. Não se deve também limitar a atuação de Deus apenas a intervenções políticas ou governamentais, pois Ele usa múltiplos meios para cumprir Sua vontade.