"E vós senhores fazei o mesmo para com eles deixando as ameaças sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas"
Textus Receptus
"E vós, senhores, fazei as mesmas coisas para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e não há acepção de pessoas com ele. "
Este versículo instrui os senhores a tratar seus servos com justiça e sem ameaças, lembrando que todos, senhores e servos, têm o mesmo Senhor celestial, que não faz acepção de pessoas.
Explicação Histórica
A expressão "fazei o mesmo para com eles" implica que os senhores devem tratar seus servos com a mesma dedicação e boa vontade que se esperava dos servos para com eles, porém com justiça e sem abuso de poder. "Deixando as ameaças" (aphiemi tēn apeilēn) ordena o abandono de táticas de intimidação ou coerção verbal. A frase "sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu" estabelece a autoridade superior de Deus sobre ambas as partes, nivelando a relação em termos de prestação de contas. "Não há acepção de pessoas" (prosōpolēmpsia ouk estin par' autō) afirma a imparcialidade divina, indicando que Deus não favorece ninguém com base em sua posição social, riqueza ou poder.
Interpretação Doutrinária
Este texto reforça a doutrina da soberania de Deus e Sua justiça imparcial sobre toda a humanidade. Para a teologia pentecostal, ele demonstra a igualdade espiritual de todos os crentes perante Cristo, independentemente de sua posição social ou econômica. A conduta dos "senhores" reflete a submissão ao Senhor Jesus, evidenciando a santificação na prática das relações interpessoais e a manifestação do amor cristão em toda hierarquia social.
Aplicação Prática
Crentes em posições de autoridade (como empregadores, líderes ou pais) devem exercer sua influência com justiça, respeito e compaixão, abstendo-se de intimidação ou favoritismo. Devem lembrar que são igualmente responsáveis perante Deus, o supremo Senhor, que julga as ações de todos sem parcialidade, e buscar refletir o caráter de Cristo em suas interações.
Precauções de Leitura
É crucial não interpretar este versículo como uma validação ou endosso da escravidão, mas sim como uma diretriz ética para crentes dentro de uma estrutura social existente na época. A imparcialidade de Deus não deve ser confundida com ausência de juízo ou recompensa diferenciada baseada na fé e nas obras, mas sim como a aplicação justa de Sua lei a todos, sem favorecimento baseado em posição terrena. O versículo deve ser lido em conjunto com os anteriores que tratam dos deveres dos servos para manter o equilíbrio da instrução paulina.